Curitiba - Para fechar o debate dos representantes trabalhistas sobre a implantação do salário mínimo regional de R$ 437, representantes da Coordenação Federativa de Trabalhadores (CFT) do Paraná e da Nova Central de Trabalhadores do Estado do Paraná (NCST) defenderam o projeto ontem na Assembléia Legislativa. As duas centrais sindicais representam cerca de 1,1 milhão de trabalhadores em todo o Estado. Amanhã e na próxima terça-feira, devem falar aos deputados estaduais representantes dos empregadores. As duas entidades fizeram referência ao Banco Mundial, que já anunciou que o Brasil poderia receber mais investimentos se tivesse uma distribuição de renda melhor.
  ‘‘Se não há massa salarial não tem consumo e a economia não gira’’, afirmou o secretário da CFT-PR e também vice-presidente nacional da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Gladir Antonio Basso. Ele citou o exemplo do Rio Grande do Sul, que adotou o salário mínimo regional há alguns anos. ‘‘Lá aumentou o volume de empregos’’, defendeu.
  O secretário da CFT-PR salientou que o impacto para as prefeituras do Estado também será pequeno. Segundo ele, o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz Sorvos, declarou que o salário mínimo regional vai quebrar as prefeituras. Para rebater a afirmação, Basso, com base em dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), argumentou que o impacto médio na folha de pagamento das prefeituras paranaenses será de apenas 0,4%. ‘‘E isso nem vai ser para todas. As que têm plano de carreira já pagam mais e não vão sofrer nada’’, argumentou.
  O presidente da NCST, Epitácio Antonio dos Santos, lembrou da questão do 13º salário. Segundo ele, os próprios empresários vão ser beneficiados com a medida. ‘‘O comércio no final do ano sempre aquece. E é época do trabalhador gastar o 13º. E com o salário maior, vai ter mais consumo’’, calculou. Santos sugeriu, após a aprovação do salário mínimo regional, a criação de uma comissão ‘‘para avaliar a implementação do piso regional, formada por parlamentares, Dieese e representates sindicais dos trabalhadores e empregadores’’.
  O projeto de lei que prevê a implantação salário mínimo regional no Estado será votado no próximo dia 3 de maio. Ainda vão expôr seus argumentos aos deputados a Associação Comercial do Paraná (ACP), a Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agrícolas do Estado do Paraná (Faciap) e a Federação dos Agricultores do Estado do Paraná (Faep).

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