Centrais cobram recuperação do mínimo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 2004
Ana Paula Ribeiro<br> Folhapress 
Brasília - As centrais sindicais se anteciparam e começaram agora a debater o reajuste do salário mínimo, hoje em R$ 260. Ontem, representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) e SDS (Social Democracia Sindical) estiveram reunidos com o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, para dar início a essa discussão, que inclui não só o reajuste do salário para o próximo ano em ''bases aceitáveis'', mas também uma política de valorização desse rendimento. ''Nós achamos que dessa vez nós tomamos a iniciativa mais rápida'', disse Canindé Pegado, secretário-geral da CGT.
Em geral, essa discussão acontece entre abril e maio, o que para o presidente da CUT, Luiz Marinho, é uma ''hipocrisia nacional'', já que o percentual de reajuste já está previsto no Orçamento da União. O Orçamento 2005 deve ser aprovado até o dia 23 de dezembro.
De acordo com Pegado, o ministro propôs uma reunião técnica em que o Ministério do Trabalho irá apresentar uma proposta aos sindicalistas. Esse encontro irá acontecer na sexta-feira da próxima semana, dia 3 de dezembro, em São Paulo. O objetivo das centrais, além de um reajuste melhor que o previsto no Orçamento 2005 de 8% , é que o governo adote uma política de recuperação do salário mínimo, para que ele chegue a um valor equivalente ao calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos) em torno de R$ 1.600.
''Mais importante que o valor para 2005, é ter uma política de recuperação do salário mínimo'', defende Marinho. Segundo ele, esse debate será levado ao Congresso Nacional e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana entre os dias 12 e 17 de dezembro antes da votação do Orçamento. ''Nós não vamos conversar com o (ministro da Fazenda, Antonio) Palocci sobre isso. Nós vamos conversar com o presidente Lula.''
No entanto, na próxima semana, o presidente da CUT disse que irá se encontrar com Palocci para a discussão do reajuste da tabela do Imposto de Renda, congelada desde 2002. Segundo ele, a idéia é resolver essa questão ''daqui para dezembro''. Para valer já no próximo ano, uma alteração nas alíquotas do IR deve ser aprovada ainda neste ano.
Hoje, a tabela tem três faixas de alíquotas: isenção (até R$ 1.058), 15% (para salários de R$ 1.058,01 a R$ 2.115) e 27,5% (para salários acima de R$ 2.115).


