Havana‘‘Centenas de pessoas’’ foram presas em Havana após a ocupação da embaixada do México na capital cubana por um grupo de 21 dissidentes, revelou na noite de quinta-feira um porta-voz da dissidência cubana. Elizardo Sanchez, presidente da Comissão Cubana dos Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), disse à AFP que as prisões ocorreram principalmente durante a noite de quarta-feira, depois que um grupo de dissidentes forçou a entrada na embaixada mexicana com um onibus. Segundo Sanchez, a polícia cubana prendeu diversas pessoas que ‘‘apenas passavam’’ pelo bairro de Miramar, onde está a embaixada mexicana. Sanchez, que em 4 de fevereiro passado se reuniu com o presidente mexicano, Vicente Fox, por ocasião de sua visita oficial a Cuba, assinalou que o incidente mostra ‘‘a falta de esperança de muitos cubanos que querem sair da ilha a qualquer preço’’.
‘‘A polícia queria evitar um fenômeno como o que ocorreu na embaixada do Peru em 1980’’, quando milhares de pessoas se refugiaram na representação diplomática para abandonar a ilha’’.
A crise da embaixada peruana provocou o êxodo de 125 mil cubanos, que se lançaram ao mar em direção a costa da Flórida.
Sanchez, que ficou ‘‘surpreso’’ com o número de prisões, disse que sua organização entrou em contato com os responsáveis pelos grupos de defesa dos direitos humanos no México para ‘‘apoiar a idéia de uma saída humanitária para a crise’’. ‘‘Queremos evitar as represálias’’.
Um comunicado oficial cubano qualificou o ‘‘grave incidente’’ de outra manobra dirigida pelos exilados cubanos nos Estados Unidos.
‘‘Trata-se de uma grosseira provocação organizada abertamente por uma rádio oficial do governo dos Estados Unidos’’, assinala o comunicado citando a Rádio Martí, emissora financiada pelo departamento norte-americano de Estado.

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