Cenário nacional 'trava' alianças no Paraná
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quarta-feira, 17 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A decisão em torno dos pré-candidatos à cadeira de governador do Paraná parece cada vez mais difícil, apesar da proximidade das convenções, previstas para acontecer entre 10 a 30 de junho, conforme calendário organizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na maioria dos estados os pré-candidatos estão à espera de um cenário nacional mais concreto, em função, principalmente, da manutenção da verticalização que obriga os partidos nos estados a repetirem as coligações feitas na esfera nacional.
No caso do Paraná, os partidos de maior representatividade no Legislativo ainda estão sem rumo, em especial quando se trata da formação de um bloco de oposição ao pré-candidato à reeleição, governador Roberto Requião (PMDB). O senador Osmar Dias (PDT), candidato tido como preferido entre membros do PSDB e do PFL, agora afirma que sua situação ''está muito complicada''. O senador se refere à decisão da executiva nacional do PDT de ter candidatura própria à Presidência, o que o impede de se aliar a outras legendas no Paraná.
A decisão do PDT foi tomada na última segunda-feira, mas somente ontem à tarde, durante conversa com a Folha, Osmar Dias resolveu falar sobre as consequências da decisão pedetista no Paraná. ''Eu fiquei muito irritado, porque me pegou de surpresa. PDT é um partido pequeno'', desabafou o senador. O pré-candidato a presidente da República pelo PDT é o ex-ministro da Educação e senador Cristóvam Buarque.
Osmar Dias também disse ter se surpreendido com a posição do PDT de Londrina, que apóia a candidatura própria do partido à Presidência. ''Eu quero saber por que eles acham que isso não vai atrapalhar minha candidatura. Porque eu não sou mágico'', criticou o senador, se referindo às declarações do presidente do PDT de Londrina, deputado estadual Barbosa Neto, que em nota à imprensa no último final de semana enfatizou o apoio à candidatura própria nacional e negou que tal fato pudesse prejudicar a candidatura do senador.
''Eu também quero saber como é que o PSDB vai me apoiar se eu não posso agora subir no mesmo palanque que o (Geraldo) Alckmin. Eu estou falando a mesma coisa há um ano. Eu sou candidato desde que eu tenha condições mínimas de disputar. Porque acordo branco pra mim é nome feio'', afirmou, irritado.
Com a decisão da executiva nacional do PDT, os tucanos agora cogitam outros dois nomes: o senador Alvaro Dias (PSDB), que não costuma sair em disputa eleitoral com o irmão, Osmar; e o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB).
Osmar Dias afirma, no entanto, que deverá esperar o dia 23 de maio, data prevista para um novo encontro nacional do PDT. Caso se confirme a candidatura própria à presidência, o senador disse que não vê alternativas para a sua candidatura ao governo. Mas, caso se estabeleça uma aliança entre o PDT e o PPS, outra idéia também defendida pela executiva nacional dos dois partidos, Osmar Dias afirmou que irá conversar com Rubens Bueno, pré-candidato do PPS ao governo do Estado. ''Já conversei com o Rubens sobre isso. E acho que podemos conversar de novo'', revela.


