Cenário econômico está confuso, afirmam executivos
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Ana Paula Lacerda<br> Agência Estado 
São Paulo - Mesmo os executivos de grandes empresas sentem dificuldade em compreender o cenário econômico no qual estão inseridos. É o que mostra pesquisa feita nos últimos 15 dias pela consultoria PriceWaterhouseCoopers (PWC). Há uma certeza: de que até agora o setor automobilístico foi o mais atingido, diz o líder de Expansão de Mercados da PWC no Brasil, Henrique Luz. Já para as demais questões, as opiniões se dividiram e mostram dúvida na hora de apontar os efeitos da turbulência.
Na opinião de cem executivos-chefes de grandes empresas, o setor automobilístico brasileiro foi o mais atingido até agora pela crise e também o que levará mais tempo para se recuperar. Esse setor foi indicado por 86% dos entrevistados como o mais afetado (era permitido apontar até cinco opções).
Luz destaca que agronegócio figura apenas como 6º colocado na lista de setores mais afetados (34% das respostas). Há problemas de crédito seriíssimos nesse setor, mas como somos bombardeados com informações sobre outros setores, a percepção dos efeitos da crise fica levemente distorcida.
Outro ponto aparentemente contraditório são as conseqüências da crise. Ao mesmo tempo em que os executivos prevêem redução do crescimento (80%), aumento do desemprego (66%) e escassez de crédito (46%), espera-se o aumento dos juros. Uma das principais medidas para combater a escassez de crédito é reduzir as taxas, portanto, parece lógico que esse não seria um problema durante uma crise financeira, diz Luz. Mas, dado o resultado da reunião do Copom, não posso negar que os executivos têm um pouco de razão. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
O economista Juan Jensen, sócio da Tendências Consultoria, concorda que haverá redução no crescimento. Esperamos uma retração para o quarto trimestre e um pequeno crescimento no primeiro trimestre de 2009, na casa de 0,4%, o que não caracterizaria, tecnicamente, recessão, explica.
Caso o governo, no entanto, continue com políticas fiscais anticíclicas, Jensen acredita que dificilmente o País conseguirá acelerar novamente na direção do crescimento. Precisamos de medidas que permitam os investimentos para encurtar a duração da crise.


