Cena política muda com novo ano
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2001
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba O cenário político paranaense vai sofrer profundas alterações logo nos primeiros dias de 2002. O decreto do governador Jaime Lerner (PFL), marcando o dia 11 de janeiro como data fatal para os secretários de Estado que são candidatos deixarem seus cargos, antecipa a corrida eleitoral. Os secretários deixam as pastas para se dedicarem às suas campanhas políticas, rumo à Assembléia Legislativa e à Câmara Federal. Os mais ambiciosos não descartam o Senado como opção.
Pressionado por sua base de sustentação, Lerner se viu obrigado a promover mudanças no primeiro escalão que, em um primeiro momento, enfraquecem sua base de suporte político, na avaliação de seus próprios aliados. Isso porque os deputados de sua base e ex-secretários vão brigar diretamente por votos, gerando atritos internos. Há meses, os deputados reclamam que os secretários podem usar suas pastas para angariar votos.
As sessões da Assembléia, por sua vez, ficarão cada vez mais vazias com o passar dos meses, como já é tradição em ano de eleição. Preocupados em obter um bom desempenho em seus redutos eleitorais, os parlamentares passarão boa parte do tempo em que deveriam estar nas sessões plenárias em suas bases no Interior. O volume de projetos votados e as discussões tendem a cair.
O desafio de Lerner é viabilizar o nome de um sucessor com cacife para garantir a permanência de seu grupo político no poder. Por enquanto, não há um candidato de consenso que tenha o aval do governador.
Até outubro, a oposição vai malhar as tentativas de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), estipulado pelo Palácio Iguaçu, com o objetivo de prejudicar o candidato governista. Até a metade do ano, o bloco de oposição terá seus candidatos definidos. Até agora, são dois nomes: Alvaro Dias (PDT), que tem aparecido como favorito em pesquisas, e o senador Roberto Requião (PMDB). Requião, no entanto, deve acabar disputando a reeleição, abrindo espaço para outro candidato.
A aposta é que o cenário sucessório mude radicalmente até as eleições, dando muito trabalho aos marqueteiros dos partidos. Governistas acreditam que o novo chefe do Executivo paranaense será um político ''novo'', rechaçando, portanto, nomes que já ocuparam o gabinete de governador, como Alvaro e Requião.
Apesar de a cúpula do partido negar que o PSDB estadual tenha vínculos com a administração lernerista, o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), pode ser o candidato do grupo. O próprio Lerner defende que PFL e PSDB dividam o palanque no ano que vem, a exemplo do que ocorre no plano nacional, e já declarou que o cabeça de chapa pode ser tucano. O PSDB bateu o martelo e decidiu trabalhar a candidatura de Beto. Mesmo assim, as candidaturas do vice-prefeito e do presidente da Assembléia, Hermas Brandão, estão em rota de colisão. Brandão declarou que, se assumir o governo com uma possível desincompatibilização de Lerner, ''só o povo'' o tira de lá.


