Cena do crime pode ter sido montada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de maio de 1997
Agência Folha De Maceió 
Manchas de sangue encontradas no final de semana pela equipe de peritos nomeados para fazer novos laudos sobre as mortes de Paulo César Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino, levantam novas suspeitas de que a cena do crime pode ter sido montada.
A Agência Folha apurou que as manchas de sangue foram encontradas no criado-mudo do quarto. Os peritos vasculharam, com o auxílio de lupas, todas as dependências do quarto onde os corpos foram encontrados no dia 23 de junho passado.
O perito Domingos Tochetto, professor de criminalística da UFRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), recolheu amostras do sangue e está enviando o material para exame de DNA.
O exame de DNA vai definir de quem é o sangue encontrado no criado-mudo. O móvel estaria a uma distância que o sangue espirrado por Suzana não o atingiria, na análise preliminar do perito.
Tochetto já solicitou ao juiz do caso, Alberto Jorge Correa, uma nova inspeção na casa para detalhar melhor os novos indícios que conseguiu. Na versão oficial, preparada pela polícia alagoana e pela equipe do legista Fortunato Badan Palhares, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), há a localização e descrição de 32 manchas de sangue na cena do crime.
Nenhuma delas está no criado-mudo. O laudo oficial diz ainda que as manchas de sangue encontradas no quarto são todas de Marcolino e que a gordura teria impedido que PC sangrasse antes de ser virado na cama. Após ser virado pelos policias, o sangue de PC jorrou e ensopou todo o lençol, ainda segundo o laudo que concluiu que a cena do crime não foi mexida e que o crime foi motivado por questões passionais.
Segundo essa versão, Suzana Marcolino matou PC e depois se suicidou. A equipe, integrada também pelos legistas Genival Veloso de França e Daniel Romero Munhoz, que pretendia ficar apenas cinco dias em Maceió (AL), também já definiu que precisará mais tempo para concluir o trabalho. Às 5h da manhã de ontem, o corpo de Marcolino foi exumado pela segunda vez. Segundo o juiz Correa, os peritos nomeados por ele decidiram fazer a exumação apenas dela, porque todos sabem que PC foi assassinado, mas há dúvidas sobre o suposto suicídio de Suzana.
Os legistas França e Munhoz tiveram de concentrar suas atenções nas denúncias feitas pelo legista alagoano, de que Marcolino teria sido estrangulada.
O suposto estrangulamento de Marcolino só pode ser confirmado com radiografias. Porém, no sábado, quando soube que a namorada de PC seria exumada, Badan Palhares telefonou para o juiz e informou que o osso hióide estava na Unicamp.
Os novos peritos solicitaram o osso, que fica na base da língua. Os sinais de estrangulamento ficam no hióide. Sanguinetti viu apenas imagens de vídeo para afirmar que o hióide de Marcolino apresentava sinais de estrangulamento.
Pelo fato de o corpo da namorada de PC não ter sido formolizado, o que impediu uma conservação mais eficaz das carnes e órgãos, os legistas não puderam analisar a trajetória que a bala fez no tórax dela. Segundo o laudo oficial, mesmo que tiro tenha sido dado de baixo para cima, foi a própria Marcolino que o disparou. Sanguinetti sustenta que ela teria sido assassinada pelo fato de que um suicida teria dado um tiro de baixo para cima.
Para ajudar a definir essa questão para o novo laudo, os peritos realizam hoje um novo exame de balística. Eles vão usar a suposta arma do crime para fazer disparo em roupas com tecido similar ao que Suzana Marcolino estava usando.


