Brasília - Suspeito de desviar dinheiro público e de movimentar contas no exterior sem declarar à Receita Federal, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foi preso ontem sob a acusação de desacatar o presidente da CPI do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), quando prestava depoimento à comissão em Brasília. Depondo na condição de investigado e amparado em decisão judicial, Pitta usou por mais de 80 vezes a frase ''mantenho o silêncio'' para evitar responder às perguntas da comissão e, eventualmente, se incriminar.
Último a apresentar seus questionamentos ao ex-prefeito, Antero afirmou que era impossível deixar de estabelecer uma relação cronológica entre a abertura de contas de Pitta no exterior e sua atuação na administração de São Paulo. Mesmo diante da insistência de Antero, Pitta manteve o silêncio. ''Se eu indagar a V. Sa. se V. Sa. vê essas afirmações como sendo afirmações de que o senhor é corrupto, V. Sa. mantém o silêncio também?'', questionou Antero.
Pitta rebateu: ''E se eu indagasse se V. Excia. continua batendo na sua mulher, como é que o senhor responderia?''. Antero tomou um susto, ficou em silêncio por alguns segundos até exigir ''respeito'' do depoente. O relógio da sala de sessões marcava 13h16 quando ele pediu que a reunião fosse suspensa ''por dois minutos'' para se reunir com assessores jurídicos e integrantes da CPI - não sem antes determinar a Pitta que se mantivesse sentado em seu lugar.
Na ocasião, o relator da CPI, deputado José Mentor (PT-SP), chegou a propor que fosse dada a oportunidade a Pitta de se retratar. Os integrantes da CPI não concordaram. Então, às 13h20, Antero reabriu a sessão e anunciou: ''Determino à Polícia do Senado que proceda neste momento à prisão por desacato do senhor Celso Roberto Pitta do Nascimento''.
Pitta se levantou, pegou sua pasta e, acompanhado do advogado, foi escoltado pela Polícia do Senado até a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde chegou às 13h45. Foi a primeira prisão em 68 sessões da CPI do Banestado, instalada em junho do ano passado para investigar práticas de evasão de divisas, principalmente as realizadas por meio do banco paranaense.
''Ele tinha salvo-conduto para manter-se em silêncio e não se incriminar, não para vir aqui e agredir nenhum parlamentar'', afirmou Antero, visivelmente transtornado. ''A CPI não tem desejo de pedir a prisão de quem quer que seja. Temos o dever aqui de levantar os fatos, encaminhar ao Ministério Público, que manda para a Justiça, que determina ou não a prisão. Agora, também não podemos aceitar desacatos'', concluiu.
Desde o início da sessão, Pitta deu sinais de que não colaboraria com a revelação de dados que contribuíssem para elucidar fatos investigados pela CPI. Manteve silêncio sobre supostas relações com doleiros, contas no exterior e até sobre o depoimento de sua ex-mulher Nicéa Pitta, que no ano passado revelou à CPI movimentações financeiras do ex-prefeito no exterior.

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