Curitiba - Acostumados com viagens e celebrações requintadas, especialmente nesta época do ano, os 11 diretores e executivos das empreiteiras Camargo Corrêa, OAS, Galvão Engenharia, UTC Engenharia, Engevix e Mendes Júnior, que estão há quase 40 dias dividindo celas da carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), terão um Natal e um Ano Novo bem diferente do habitual. Longe de suas mansões e apartamentos luxuosos, os executivos não têm direito a assistir TV e podem tomar banho de sol por uma hora a cada dia, entretanto, como está chovendo há pelo menos dois dias na capital, eles não puderam desfrutar deste "benefício".
O dia de visitas na PF, no bairro Santa Cândida, ocorre no horário comercial de todas as quartas-feiras. Entretanto, esta semana, devido às festividades do Natal, o período de entra e sai de advogados e de familiares dos presos foi antecipado para ontem.
Na tarde de ontem, eles receberam a visita de esposas e filhas, enquanto um "batalhão" de advogados, auxiliares e motoristas aguardava na recepção da PF. Cada grupo de familiares pôde falar por 20 minutos com os presos. As conversas são feitas em um parlatório, com uma divisão de vidro entre o preso e os familiares, que conversam por um telefone. Oficialmente, até duas pessoas podem entrar por vez. Todos os investigados na Lava Jato receberam visitas de seus familiares. Nas sacolas, algumas de marcas famosas, peças de roupas, livros, jornais e revistas.
"Eles estão sentido a pressão de estarem mais de 30 dias presos. É complicado ficar longe da família e normal estarem tristes, ainda mais nesta época do ano. Mas não chegam a estar deprimidos, como acabou sendo divulgado em uma revista de circulação nacional", revelou um dos advogados.
A maior parte das esposas e filhas dos executivos chegaram e saíram em silêncio, algumas sorridentes inclusive desejaram um bom final de ano aos recepcionistas da PF. "Nos vemos no ano que vem", disse uma delas. Mas nem tudo foi tranquilo. Pela segunda vez desde que os diretores e executivos foram presos, a mulher de José Ricardo Breghirolli, funcionário da OAS, identificada apenas como Raquel, entrou em atrito com a imprensa. No final de novembro ela já havia xingado os jornalistas de "bando de urubus", além de fazer gestos obscenos para as câmeras. Desta vez, após sua visita, ela encarou os repórteres, como se estivesse esperando algum questionamento e, ao deixar a sede da PF, colocou a mão em uma câmera e ofendeu o cinegrafista de uma rede de TV.

CEIA MODESTA

Não há cama para todos, e alguns dormem em colchonetes. Em cada cela há um beliche de alvenaria. Normalmente, a cada visita, os executivos recebem garrafas de água importadas da marca Evian (um dos poucos luxos ainda mantidos) e chocolates e biscoitos, produtos que não estragam, pois não há geladeiras. Mesmo sendo uma data especial, as refeições de hoje serão simples. Café da manhã com pão e café com leite, e almoço e janta servidas em marmitex, com um cardápio normal (arroz, feijão, carne e salada), que em nada lembra uma tradicional ceia de Natal. O único item diferente que será servido aos presos e que remete às festividades natalinas serão pedaços de panetones que foram entregues pelos familiares.
José Aldemário Pinheiro Filho, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e José Ricardo Nogueira Breghirolli (OAS); Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior); Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia), Dalton dos Santos Avancini, João Ricardo Auler e Eduardo Hermelino Leite (Camargo Corrêa), Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC Engenharia) e Gerson de Mello Almada (Engevix) ocupam uma das duas alas da carceragem, onde dividem três celas, cada uma com seis metros quadrados. Na outra ala, com mais três celas estão o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do esquema e que está preso na PF desde março; e o lobista Fernando Soares, conhecido como "Baiano", além de outros presos.

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