A Câmara de Vereadores de Londrina divulga amanhã o relatório parcial das apurações feitas pela Comissão Especial de Investigação (CEI) que constatou indícios de superfaturamento na maioria dos 200 itens que compõem a planilha do transporte coletivo na cidade. Os membros da CEI ainda vão apresentar o preço da tarifa correspondente ao levantado nos últimos quatro meses de trabalho da comissão, ao qual a FOLHA teve acesso com exclusividade: R$ 1,99, diante dos R$ 2 cobrados hoje.
Na sexta-feira, o relator do grupo, vereador Rodrigo Gouvêa (PRP), admitiu que a antecipação de parte do relatório - uma vez que o prazo final para entrega do documento é o próximo dia 18 - se deve à ameaça de greve lançada semana passada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol). A categoria adiou para a próxima sexta a assembleia que poderia ou não deflagrar a paralisação.
Para esta quarta-feira está marcada uma reunião na Gerência Regional do Trabalho para a qual, além do Sinttrol - que pediu a intervenção do órgão -, estão convocados a Câmara, as empresas do transporte coletivo Grande Londrina e Francovig, o sindicato que as represente (Metrolon), a Procuradoria Regional do Trabalho (PRT) e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). A reunião é uma espécie de mesa redonda de negociação.
Ontem, porém, o presidente da comissão, vereador Joel Garcia (PDT), garantiu que ''não há quaisquer motivos para greve no sistema''. ''Se houver greve, a CMTU estará autorizada a quebrar o contrato e contratar outra empresa ou ainda poder transportar os passageiros em táxis no sistema lotação'', declarou. ''Se o sindicato quer o enfrentamento com greve, vamos mostrar que isso é coisa de sindicalista forçando a barra'', atacou.
O pedetista adiantou que a CEI apresentará notas fiscais lançadas pelo Governo do Estado, no final do ano passado, e pela CMTU, em janeiro de 2006, relativas a produtos semelhantes adquiridos por ambos, mas em valores díspares. ''O Estado comprou no início deste ano ônibus do transporte escolar de 31 e 44 lugares, os mesmos daqui, mas com elevador, a R$ 118 mil (31 lugares) e R$ 216 mil. Por incrível que pareça, em janeiro de 2006 a planilha da CMTU mostra os de 31 lugares orçados em R$ 135 mil, e, na mesma época, R$ 245 mil os de 44 lugares.''
Outro ponto de suposto superfaturamento, disse o pedetista, refere-se à recapagem dos pneus e ao valor do ólseo diesel. ''Hoje temos oferta de óleo diesel metropolitano, da Petrobras, por R$ 1,68; em 2008, estavam comprando esse combustível aqui por R$ 1,84 o litro.''
Sobre os pneus, Garcia declarou que a CEI apontou a viabilidade de, após o uso do pneu novo, e mais duas recapagens e meia, ser possível ainda rodar mais 180 mil quilômetros. Na planilha do final do ano passado, são apontados 105 mil quilômetros.
A planilha definida pela CEI foi entregue também à Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, e à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Ambas acompanharam os trabalhos do grupo. O presidente da Comissão informou ainda que o valor sugerido de R$ 1,99 já inclui o aumento de 6% referente ao INPC requerido pelo Sinttrol.
O presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, negou que o sindicato esteja fazendo pressão pelo aumento da tarifa. ''A assembleia está convocada para avaliar a situação, e o sindicato apenas está manifestando uma opinião dentro de uma circunstância em que a tarifa foi determinada pelo outro prefeito. Se a CEI concluir que a atual é uma tarifa justa, que venha publicamente, diga isso e mostre o que está errado, para que os culpados paguem por isso'', respondeu.
Contudo, Silva admitiu que, ''nos bastidores, oficiosamente, tivemos a informação de que a tarifa deveria custar mais de R$ 2,40, mas não posso declinar quem disse isso''.

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