Começa a atuar nos próximos cinco dias, a contar de ontem, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que vai apurar se houve apropriação indébita dos repasses feitos pela Prefeitura a entidades de servidores que pagam seguradoras. A aprovação da medida por unanimidade de 15 votos aconteceu na sessão de ontem à tarde, depois da denúncia apresentada pelo vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), terça-feira passada, de que o Grêmio Recreativo dos Operários da Prefeitura estaria retendo valores que pagariam o seguro de vida de pelo menos 1,4 mil funcionários públicos. A diretoria atual do Grêmio fala em um rombo de cerca de R$ 200 mil.
Presidente da CEI que terá Sidney de Souza (PTB) na relatoria , Tamarozzi afirmou que a primeira medida adotada pelo grupo deve ser o pedido dos estatutos do Grêmio na gestão passada e da atual. Ele nega que o substitutivo acrescido ontem ao requerimento de abertura da Comissão vá atrapalhar a finalização dos trabalhos, que tem prazo de 120 dias: pela alteração aprovada pela Procuradoria do Legislativo, a relação entre seguradora e entidade vai ser investigada também no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), na Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml), na Associação de Funcionários do Município de Londrina (AFML) e na Associação Municipal dos Aposentados. ''É necessária essa abrangência'', disse. No parecer, o procurador João Esteves completou que o substitutivo não altera a essência e que ''o reflexo à vida pública e à ordem constitucional é evidente''.
Após a aprovação, Tamarozzi ironizou o fato de o atual presidente do Grêmio, Luiz Bispo, ter omitido da imprensa, em entrevista esta semana, o fato de ter participado da diretoria suspeita de se apropriar dos valores que seriam pagos à Bradesco Seguros. ''O estatuto atual vai ser pedido também'', afirmou.
O contralador geral da Prefeitura, Sinival Pitaguari, deu declarações que contradizem as ditas terça-feira por Bispo. Segundo o controlador, a auditoria feita pelo Executivo no Grêmio, ano passado, ''desconfiou de algumas coisas'' e efetuou diretamente o repasse de quatro parcelas atrasadas (R$ 40 mil cada) à Bradesco ''sem intermediação do Grêmio''. ''Somos meros repassadores do desconto na folha, mas resolvemos suspender temporiamente o repasse por precaução, pagando direto à seguradora'', afirmou Pitaguari. Quando isso ocorreu? ''De abril a julho de 2004, quando houve o atraso no repasse à empresa'', declarou.
Ontem à noite, Bispo reconheceu que era membro da diretoria passada nos dois primeiros anos do segundo mandato do ex-presidente. Mesmo assim, ele alegou não saber o que se passava no âmbito do Conselho Fiscal, de onde acredita terem partido as irregularidades. Na terça, porém, o presidente disse que a negociação com a Bradesco não havia acabado e que o contrato com uma quarta seguradora, a Real, havia sido firmado em dezembro passado ''porque não podia assumir a dívida das quatro parcelas deixadas''. Questionado sobre o pagamento da Prefeitura, se disse surpreso. ''Que bom que pagaram! Legal, eu não sabia. Só posso falar algo disso daqui uns dois dias, depois de consultar meus contadores'', finalizou. Ele não gostou da CEI. ''O Ministério Público já está investigando, não havia necessidade disso''.

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