CEI vai à Justiça para ter acesso às contas da prefeitura de Uraí
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Giovana Kindlein<br>Reportagem Local 
Uraí O presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Uraí (a 26 km a oeste de Cornélio Procópio), vereador Donizete Ruiz Pinha (PSL), que investiga o suposto pagamento de serviços advocatícios particulares da prefeita Iracélis da Fonseca Borghi (PDT) com dinheiro público, deve pedir à Justiça a presença de um oficial de justiça para acompanhar a investigação no Departamento de Contabilidade da prefeitura na próxima semana.
Para ter acesso aos documentos contábeis do Executivo e concluir os trabalhos da CEI, a Câmara Municipal ingressou com um mandado de segurança judicial em agosto. Segundo Pinha, ele e os membros da CEI foram impedidos de analisar os empenhos que supostamente comprometeriam a prefeita pelo vereador e marido da prefeita, Osnir Borghi. A juíza Kelly Sponholz Moleta determinou a cessação dos atos impeditivos para a verificação de documentação dos anos de 2001, 2002 e deste ano no Departamento de Contabilidade no último dia 26 de agosto.
De acordo com a juíza, os membros da comissão terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais durante os trabalhos, como ouvir indiciados, tomar depoimento de testemunhas e autoridades com a presença de advogado, requisitar informações e documentos, ou seja, valer-se de todos os meios de prova legalmente admitidos.
Um dia depois da liminar, os vereadores da CEI foram até a prefeitura acompanhados de dois oficiais de justiça. ''Queríamos ter acesso a todos os empenhos em nome do advogado da prefeita na época, Alexandre Hauly Camargo'', disse Pinha. Os vereadores analisaram os documentos de 2001 e acertaram, de maneira informal, para o último dia 3 a continuidade dos trabalhos. A assessoria jurídica da prefeitura solicitou a autorização judicial. ''Acho que não era necessário porque quem não deve, não teme'', concluiu o presidente da comissão. A autorização judicial será solicitada na próxima segunda-feira.
A primeira tentativa de analisar os documentos contábeis da prefeitura ocorreu no dia 13 de agosto, quando Pinha levou reforço policial até a prefeitura. Houve tumulto e a averiguação foi interrompida pelo vereador Osni Borghi, marido da prefeita. Na época, o advogado da prefeita, Alexandre Hauly Camargo, ingressou com recurso na Justiça alegando invasão e usurpação de documentos públicos.


