CEI tem novas denúncias contra Grêmio
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quarta-feira, 08 de junho de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Uma terceira seguradora até então não declarada, dois repasses mensais distintos para quantidades idênticas de segurados e uma suspeita de suborno. Decorrido já mais de um mês de sua criação, a Comissão Especial de Investigação (CEI) que apura indícios de irregularidades no Grêmio dos Operários das Prefeitura de Londrina recebeu ontem à tarde documentos que apontam para o pagamento de mais de R$ 86 mil à seguradora Sul América Seguros Executivos SA, sem que haja, até agora, a confirmação da apólice coletiva de 1.603 vidas.
Os papéis foram apresentados pelo presidente da Comissão, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), após os depoimentos do auxiliar de supervisão do Terminal Rodoviário, Joel Divino da Costa, e do mecânico de manutenção da Prefeitura, Airton Rodrigues Martins. Costa foi suplente do Conselho Fiscal do Grêmio na atual gestão presidida por Luiz Bispo , mas pediu afastamento do cargo apenas quatro meses depois de assumir. Martins foi tesoureiro nos oito últimos anos dos 10 ocupados pelo ex-presidente da entidade, Glenisson Rodrigues.
Segundo Tamarozzi, declarações do ex-suplente acrescentaram fatos que a CEI, até então, desconhecia. Ele se refere à entrega de um comprovante de depósito de R$ 6 mil feita por Costa, recebida de ''alguém'' em agosto de 2004. Na ocasião, a pessoa teria lhe dado o dinheiro logo após o Grêmio fechar com a Sul América um contrato de seguro coletivo. ''Não disseram se o dinheiro era para ele ou para o Grêmio, como pró-labore, pediram apenas para que ficasse com o dinheiro'', afirmou o vereador. Dias depois, pediu para deixar o cargo.
''Saí porque não entendia como a diretoria queria tanto mudar de seguradora, mesmo em débito com a Bradesco'', justificou Costa. Ainda conforme ele, os diretores não apresentaram argumentos quando a questão era a pendência financeira.
O presidente da CEI adiantou que o próximo passo deve ser o encaminhamento de um ofício à Sul América, em Curitiba, para confirmar se houve ou não os dois meses de repasse. Os supostos pagamentos estão registrados em ofício datado assinado pela corretora de seguros Protec, de Londrina, a qual seria intermediária no repasse de R$ 30,665 mil (julho de 2004) e de R$ 56 mil (agosto). A Folha ligou para os telefones da Protec constantes em lista, mas ninguém atendeu. O escritório da Sul América na cidade preferiu deixar a resposta a cargo da matriz, em Curitiba, onde também ninguém foi localizado.
Sobre o depoimento do ex-tesoureiro, Tamarozzi avaliou-o como ''uma confirmação da posição autoritária do Glenisson'', referência à declaração de Martins de que seria ''mandado assinar'' cheques, muitas vezes, sem saber o destino do gasto. Estudante até a quarta série do primeiro grau, Martins afirmou desconhecer saldos e extratos bancários do Grêmio. ''Nunca agi de má-fé, não podia nunca imaginar que isso traria tanto problema'', respondeu, abalado. Glenisson Rodrigues preferiu não comentar o assunto. Bispo não foi localizado.


