James Alberti
e Dimitri do Valle
De Curitiba
Os dois delegados do entreposto paraguaio no Porto de Paranaguá, Juan Pablo Esteche e Luiz Rafael Rabery, devem ser chamados para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Paraná, que investiga o crime organizado no Estado. Os dois foram acusados de conivência com um esquema de cobrança de propinas para liberar cargas exportadas para o Paraguai. As acusações foram feitas no jornal local ‘‘Tribuna da Imprensa’’. O dono do jornal, Ilio Greco Venet, também será convocado.
Na reportagem, Venet faz insinuações de que Esteche e Rabery estão envolvidos com o contrabando de mercadorias e o tráfico de drogas para o Paraguai. ‘‘Na hora em que os deputados me chamarem, estarei lᒒ, disse o dono do jornal, que está sendo processado pelos paraguaios por crime de calúnia e difamação. Esteche e Rabery negam as acusações lançadas no jornal.
‘‘Não sabemos qual é a intenção destas denúncias porque sempre agimos com transparência’’, diz Esteche. Os delegados alegam que não possuem permissão legal para controlar a entrada e saída das cargas. Como estão em solo brasileiro, eles explicam que a Receita Federal e a entidade que administra o porto, a Appa, é quem têm o poder de fiscalização. ‘‘Somos apenas representantes dos importadores e exportadores paraguaios’’, afirma Raubery.
Venet diz que os delegados cobram US$ 250,00 para despachar um contêiner para o Paraguai. ‘‘Essa taxa é ilegal’’, afirma. O dono do jornal diz que as próprias empresas transportadores publicaram há seis meses na imprensa local um comunicado para protestar contra a cobrança e a corrupção no entreposto. No final do ano, recorda Venet, as mesmas empresas, para não terem as exportações prejudicadas, publicaram outro comunicado elogiando a atuação dos delegados e desmentindo o seu jornal.
Segundo o deputado Algaci Túlio (PTB), a Comissão Especial de Investigação (CEI) deve ser transformada em CPI no dia 10 de fevereiro, aumentado a força de ação dos parlamentares que poderão determinar, inclusive, prisões de acusados.
As acusações contra os delegados paraguaios foram tema da primeira reunião da CEI neste ano, relizada na segunda-feira passada. Algaci Túlio disse que a CPI deve encaminhar ofício ao SBT pedindo cópia da fita que teria sido veiculada pelo ‘‘Jornal do SBT’’ no dia 18 de novembro do ano passado. A reportagem também teria motivado o texto publicado no jornal ‘‘Tribuna da Imprensa’’, do qual constam as acusações contra os delegados.
A CPI também deverá enviar ofício ao general Gusman Gaona, chefe do SNAD, órgão que combate o narcotráfico do Paraguai. Os deputados querem saber se o general tem informações sobre as denúncias envolvendo funcionários do governo daquele país. Enumerando casos antigos, o deputado Algaci Túlio afirmou que não são novidades notícias sobre irregularidades no Porto de Paranaguá, mas é relativamente cauteloso ao dar crédito às denúncias do jornal mensal daquela cidade. ‘‘É uma denúncia grave, mas que cabe muito cuidado’’, disse Túlio.Parlamentares vão a Paranaguá para investigar ‘‘com cuidado’’ denúncia de corrupção na liberação de cargas no porto paranaense
José SuassunaEXTREMOSEsteche e Rabery, no Porto: ‘‘Sempre agimos com transparência’’. No detalhe, Venet, que fez a denúncia

mockup