Leandro Donatti
De Curitiba
A Comissão Especial de Investigação (CEI), instalada pela Assembléia Legislativa do Paraná para dar auxílio à CPI do Narcotráfico, estuda a viabilidade de criação de um programa estadual de proteção a testemunhas, nos mesmos moldes do que está sendo reformulado pelo governo federal. A idéia foi lançada ontem pelo presidente da comissão, deputado Ângelo Vanhoni (PT).
Ele disse que há necessidade de um programa de proteção estadual, para dar segurança às pessoas que eventualmente venham a fazer denúncias e repassar informações à comissão de agora em diante. O disque-denúncia que municiará a CEI da Assembléia começa a funcionar ainda nesta semana, segundo Vanhoni. O número do telefone já está definido. Será 08002829.
Para concretizar a proposta, a CEI do Paraná pretende se reunir com o governador Jaime Lerner (PFL) nos próximos dias. O encontro será depois do dia 14, quando está previsto o retorno do governador dos Estados Unidos. ‘‘Temos que discutir essa questão. Um programa de proteção a testemunhas é fundamental se quisermos avançar nas investigações’’, assinalou.
Além do programa de proteção, a CEI defende a criação de uma nova vara criminal em Curitiba, especializada em delitos envolvendo o tráfico de drogas. Os deputados programam para esta semana um encontro com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sydney Zappa. A competência para propor a criação de uma nova vara é privativa do Poder Judiciário.
‘‘Basta eles mandarem um anteprojeto para a Assembléia, mexendo no Código de Organização e Divisão Judiciárias’’, disse Vanhoni. Para o deputado, a vara especializada vai acabar com a impunidade. ‘‘Tem muito traficante preso que é solto por decurso de prazo. Os juízes e promotores não dão conta de analisar tudo no tempo fixado em lei’’, observou o presidente da CEI.
Vanhoni informou também que a comissão vai solicitar a agilidade do governo para instalar a Divisão do Narcotráfico, órgão vinculado à Secretaria da Segurança para combater e investigar a rota da droga no Estado. ‘‘A estrutura que o Adauto de Oliveira (delegado) dispõe é uma vergonha: 14 policiais e duas viaturas’’, analisou Vanhoni.
A CEI do Paraná reuniu-se ontem à tarde, em Curitiba, pela segunda vez em menos de uma semana, com Padre Roque Zimmermann (PT), o único deputado federal paranaense que integra a CPI do Narcotráfico. Padre Roque fez nova explanação sobre as atividades da CPI e levantou a possibilidade da vinda do presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), para Curitiba. ‘‘Ou será na próxima segunda-feira (dia 13) ou então no dia 16 deste mês’’, cogitou.
Padre Roque disse que o recesso parlamentar em Brasília não vai paralisar o trabalho da CPI do Narcotráfico. ‘‘Não vamos tomar depoimentos, mas as investigações continuam’’, disse ele. Assim como a CPI de Brasília, a CEI do Paraná tenta manter o assunto em discussão durante o recesso parlamentar. Vanhoni disse que o trabalho da comissão será dividido em quatro partes: narcotráfico, roubo de cargas, desmanche e roubo de carros, e lavagem de dinheiro.

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