CEI pede anulação do processo licitatório do transporte
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terça-feira, 21 de julho de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O relatório de 110 páginas sobre a planilha de custos do transporte coletivo, entregue ontem pela Comissão Especial de Investigação (CEI) ao presidente da Câmara Municipal, José Roque Neto (PTB), traz propostas polêmicas. Entre outras coisas, o documento orienta a anulação do processo licitatório vencido pelas empresas operadoras do serviço por estar evidenciado que a licitação foi ilegal e as condições contratuais ferem o interesse público.
A CEI sustentou ainda a posição de que a tarifa de R$ 2 deve ser mantida sem ônus para o reajuste dos trabalhadores e o bom funcionamento do sistema. A comissão pede o indiciamento dos ex-presidentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) Wilson Maria Sella e Mauro Yamamoto, por crimes previstos nas leis de Improbidade Administrativa e de Licitações.
Integraram a comissão os vereadores Joel Garcia (PDT), na presidência; Rodrigo Gouvêa (PRP), na relatoria; e Roberto Fortini (PTC), Gerson de Araújo (PSDB) e Tito Valle (PMDB), como membros. Atuaram como observadores os advogados Adauto de Almeida Tomaszeski, da PUC, e Rodrigo Brum, da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina. O advogado Jonatas Luiz Moreira de Paula atuou como auditor das questões jurídicas envolvidas.
De acordo com Garcia, o processo licitatório de 2003 foi questionado por ter sido direcionado para atender as duas empresas que prestam o serviço na cidade. Segundo ele, a CMTU ofertou dois lotes, um deles com 82% das linhas e o outro com 18%, o que corresponderia exatamente às áreas de atuação das empresas que já ofereciam o transporte. Existe uma lei municipal que determina que a licitação deve ser feita por linha, e não por lotes.
Outra irregularidade apontada pelo relatório é a tarifa diferenciada cobrada pelo Psiu. Garcia afirmou que o serviço de transportes deveria cobrar uma tarifa única, definida por uma média entre os custos do Psiu e do ônibus convencional. Além disso, o Psiu deve fazer a integração com outras linhas no Terminal, revelou. Conforme o presidente da CEI, o custo com o serviço de micro-ônibus é menor porque os veículos gastam menos combustível e circulam sem cobradores.
A CEI também propôs a realização de uma auditoria contábil para subsidiar ações judiciais para compensação ou devolução de diferenças relativas à taxa de remuneração de capital a 12% ao ano, paga às empresas; e o pagamento de 7,5% do lucro líquido ao mês, que os vereadores consideraram excessivos.
Como 100 ônibus da frota já completaram dez anos, a CEI concluiu ainda que o pagamento da remuneração de capital no período já ultrapassou o valor dos veículos e, por isso, os mesmos pertenceriam à CMTU.
O advogado Jonatas Luiz Moreira de Paula, que fez a revisão jurídica do relatório, lembrou que o documento propõe alternativamente a possibilidade de celebrar um termo de ajustamento de conduta entre CMTU e operadoras dos sistemas para a readequação dos contratos de outorga. A cláusula foi inserida para evitar grandes transtornos na prestação de serviços à população.
Roque Neto cogita a hipótese de convocação de uma sessão extraordinária da Câmara para aprovação do relatório.


