Em depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Alvarás, da Câmara de Londrina, ontem à tarde, o presidente da Associação dos Moradores do Jardim Colúmbia, Juliano Dalto, reclamou da inércia da prefeitura para averiguar as denúncias de concessão de alvarás com base em documentos falsos na Secretaria de Obras e disse ter sofrido perseguição por trazer o caso à tona. Sem dizer nomes, ele também confirmou ter ouvido de outro morador a suspeita de pagamento de propina para a liberação do documento. Ainda diz que, antes da gestão Alexandre Kireeff (PSD), já havia enviado cartas ao Executivo em 2012 com a denúncia, ainda que "sem riqueza de detalhes", nas gestões Gerson Araújo (PSDB), José Joaquim Ribeiro (sem partido) e Barbosa Neto (PDT). O envio formal da carta, segundo ele, ocorreu ao menos na gestão do hoje vereador Gerson Araújo. Ele não se recorda se as cartas anteriores foram protocoladas na prefeitura ou apenas endereçadas à sede do Executivo.
Dalto foi a primeira testemunha ouvida pela CEI instalada na semana passada. O presidente, Jamil Janene (PP), afirmou que as declarações e os documentos trazidos são de grande importância. Para a quarta-feira da semana que vem, serão convocados quatro servidores de carreira da Secretaria de Obras. Jamil não disse quem são ou quais funções exercem na pasta.
O presidente da associação entregou aos vereadores o mesmo documento entregue ao prefeito Alexandre Kireeff e ao ex-secretário Sandro Nóbrega. No documento, ele indica 12 casas nas quais as fotos não mostram benfeitorias que seriam exigidas para acessibilidade e sustentabilidade ambiental, como piso tátil, nivelamento da calçada, faixa para absorção de água pluvial e árvores.
De acordo com ele, o aviso foi protocolado nos gabinetes de Kireeff e do secretário de Obras em 10 de janeiro do ano passado. Porém, apenas em abril de 2013, o então secretário Nóbrega, acompanhado de uma equipe, foi ao bairro verificar se as denúncias procediam.
Diante da confirmação, os fiscais da pasta passaram a notificar os moradores para que regularizassem a situação dos imóveis – foram cerca de 200, diz –, com ameaça de multa se não cumprido no prazo estipulado.
Para ele, era uma forma de tentar calá-lo pela pressão dos outros moradores. "Eles faziam questão de dizer que estavam ali por causa do presidente da associação", diz Dalto. Além disso, ele afirma ter recebido ameaça de pessoas ligadas aos construtores.
Porém, a denúncia mais grave ele diz ter ouvido de um futuro comprador, que teria ouvido uma conversa entre o construtor e o fiscal da demora para liberar os documentos e o pagamento de um cafezinho. "Mais tarde, ele perguntou que cafezinho era esse e o construtor disse que não era nada que R$ 300 não pague." O fato é investigado pelo Ministério Público.

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