A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Londrina que apura irregularidades na Secretaria de Obras para emissão de alvarás vai ouvir o ex-detentor da pasta, Sandro Nóbrega, que deixou o cargo após as denúncias virem à tona. O depoimento está marcado para as 15 horas de amanhã e será o primeiro de três a serem ouvidos pelos vereadores.
O presidente da CEI dos Alvarás, Jamil Janene (PP), diz que o ex-secretário precisa ser ouvido para esclarecer as atitudes tomadas após chegar à pasta denúncias de irregularidades e as circunstâncias que a ex-diretora de aprovação de projetos, Celina Ota, foi exonerada, entre outros pontos. Nóbrega já foi notificado e teria confirmado presença.
A crise na Secretaria de Obras foi instaurada depois da descoberta de que documentos que indicam irregularidades na liberação de alvarás para obras no Jardim Colúmbia, com base em informações falsas, foram engavetados na secretaria, ao invés de serem encaminhados para procedimento na Corregedoria do Município.
Após o caso vir à tona, Celina Ota pediu demissão do cargo. Ela afirmou aos vereadores que a atitude foi tomada por motivo de saúde. Porém, quando o Ministério Público passou a investigar e obteve depoimento que indicava possível pagamento de propina para fiscais – sob o eufemismo de "cafezinho", no valor de R$ 300 – Sandro decidiu por o cargo à disposição de Kireeff, que decidiu trocar de secretário. Atualmente, comanda a pasta Walmir Matos.
Jamil avalia que, com os depoimentos de amanhã, a comissão deve encerrar os trabalhos acerca do Jardim Colúmbia. "Isso se não precisar de acareação", adianta.
Ontem, a CEI ouviu os empresários Wilson Roberto Carmagnani e Plácido Roberto Carmagnani, proprietários da Construshop. Eles são os responsáveis pela construção de uma casa no Jardim Colúmbia que ficou pronta no ano passado, mas que só teve o alvará de construção emitido pela prefeitura em janeiro deste ano. Sem o documento, o início de qualquer obra é irregular e a prefeitura multou em R$ 2,9 milhões o empreendimento City Shopping Londrina, no ano passado, pelo mesmo motivo.
Segundo Jamil, os empresários negaram em depoimento ter pago ou oferecido propina e dizem não conhecer fiscais da pasta. Também reclamaram da morosidade da Secretaria de Obras.
Após o encerramento dessa fase, a CEI dos Alvarás deve se concentrar em seu segundo alvo: o Complexo Marco Zero e os problemas para a liberação de alvarás e Habite-se para os empreendimentos.

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