A Comissão Especial de Investigação (CEI) que analisa a planilha do transporte coletivo em Londrina deve pedir o indiciamento de pelo menos dois ex-gestores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), no relatório a ser finalizado até 18 de julho, por suposta negligência administrativa. A afirmação é do presidente da CEI, o líder do Executivo Joel Garcia (PDT), segundo o qual os indiciamentos serão requeridos ao Ministério Público (MP) ao final das investigações.
  Em entrevista à FOLHA, Garcia não quis declarar nomes dos futuros indiciados. Contudo, o vereador admitiu que os pedidos se referem tanto a ex-administradores ligados à licitação da concessão do transporte, no certame realizado em 2003, quanto ex-gestores da última administração do prefeito Nedson Micheleti (PT), que concedeu o reajuste da tarifa em 28 de dezembro do ano passado, mas viu a medida recrudescer com liminar que suspendeu o aumento.
  Para o presidente da comissão, o edital que prevê a concessão de todo o serviço pelo período de 15 anos, renovável por mais 15, teria apresentado ‘‘falhas de caráter oneroso’’ ao erário municipal. ‘‘Por exemplo, a CMTU propôs às empresas, e elas aceitaram, que fossem investidos R$ 8 milhões não na companhia, mas nos ônibus, em equipamentos de leitura de cartão eletrônico’’, citou, para completar: ‘‘Esse foi um dos pontos colocados em edital. Na nossa avaliação, é como se a própria CMTU pagasse por isso, quando, na verdade, deveria ser obrigação das concessionárias’’.
  Em relação a gestões mais antigas na companhia, mas ainda no início da gestão de Nedson, o pedetista afirmou que a CEI constatou como suposta irregularidade a criação do serviço Psiu por meio de portaria assinada pela presidência da CMTU. ‘‘O então presidente criou um novo sistema de transporte que deveria ter sido criado, senão por lei municipal, no mínimo por decreto do prefeito.’’
  No final da gestão petista, a negligência, conforme o presidente da CEI, teria se dado em relação aos pedidos de reajuste da tarifa protocolados pelas empresas ao longo do ano, mas concedido apenas em dezembro – passado o período eleitoral.
  ‘‘Teve gestor que recebeu dois, três pedidos de reajuste e que, em depoimento à CEI, alegou que o aumento só foi concedido no final do ano por desconhecimento de como era o processo, antes disso. Com tantas solicitações anteriores, estranha o fato de não ter sido instituída uma comissão para analisar a planilha de custo. Afinal, estamos falando de um contrato de R$ 100 milhões anuais, ou R$ 3 bilhões, ao todo’’, concluiu.
  A finalização dos trabalhos da CEI depende ainda dos cadernos de propostas e de cópia do edital de licitação, material que o grupo diz aguardar, da CMTU, só até a próxima segunda-feira.
  A comissão tomou depoimento de dez funcionários e ex-funcionários da CMTU, entre os quais os ex-presidentes Wilson Sella e Mauro Yamamoto, além de representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sinttrol). Dentre as oitivas, a mais longa foi a do funcionário de carreira da CMTU e ex-diretor de Transportes Wilson Santos de Jesus, que falou por cerca de quatro horas aos integrantes da CEI. ‘‘De longe, foi o mais esclarecedor’’, sinalizou Garcia.

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