CEI deve pedir indiciamento de ex-gestores da CMTU
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Comissão Especial de Investigação (CEI) que analisa a planilha do transporte coletivo em Londrina deve pedir o indiciamento de pelo menos dois ex-gestores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), no relatório a ser finalizado até 18 de julho, por suposta negligência administrativa. A afirmação é do presidente da CEI, o líder do Executivo Joel Garcia (PDT), segundo o qual os indiciamentos serão requeridos ao Ministério Público (MP) ao final das investigações.
Em entrevista à FOLHA, Garcia não quis declarar nomes dos futuros indiciados. Contudo, o vereador admitiu que os pedidos se referem tanto a ex-administradores ligados à licitação da concessão do transporte, no certame realizado em 2003, quanto ex-gestores da última administração do prefeito Nedson Micheleti (PT), que concedeu o reajuste da tarifa em 28 de dezembro do ano passado, mas viu a medida recrudescer com liminar que suspendeu o aumento.
Para o presidente da comissão, o edital que prevê a concessão de todo o serviço pelo período de 15 anos, renovável por mais 15, teria apresentado falhas de caráter oneroso ao erário municipal. Por exemplo, a CMTU propôs às empresas, e elas aceitaram, que fossem investidos R$ 8 milhões não na companhia, mas nos ônibus, em equipamentos de leitura de cartão eletrônico, citou, para completar: Esse foi um dos pontos colocados em edital. Na nossa avaliação, é como se a própria CMTU pagasse por isso, quando, na verdade, deveria ser obrigação das concessionárias.
Em relação a gestões mais antigas na companhia, mas ainda no início da gestão de Nedson, o pedetista afirmou que a CEI constatou como suposta irregularidade a criação do serviço Psiu por meio de portaria assinada pela presidência da CMTU. O então presidente criou um novo sistema de transporte que deveria ter sido criado, senão por lei municipal, no mínimo por decreto do prefeito.
No final da gestão petista, a negligência, conforme o presidente da CEI, teria se dado em relação aos pedidos de reajuste da tarifa protocolados pelas empresas ao longo do ano, mas concedido apenas em dezembro passado o período eleitoral.
Teve gestor que recebeu dois, três pedidos de reajuste e que, em depoimento à CEI, alegou que o aumento só foi concedido no final do ano por desconhecimento de como era o processo, antes disso. Com tantas solicitações anteriores, estranha o fato de não ter sido instituída uma comissão para analisar a planilha de custo. Afinal, estamos falando de um contrato de R$ 100 milhões anuais, ou R$ 3 bilhões, ao todo, concluiu.
A finalização dos trabalhos da CEI depende ainda dos cadernos de propostas e de cópia do edital de licitação, material que o grupo diz aguardar, da CMTU, só até a próxima segunda-feira.
A comissão tomou depoimento de dez funcionários e ex-funcionários da CMTU, entre os quais os ex-presidentes Wilson Sella e Mauro Yamamoto, além de representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sinttrol). Dentre as oitivas, a mais longa foi a do funcionário de carreira da CMTU e ex-diretor de Transportes Wilson Santos de Jesus, que falou por cerca de quatro horas aos integrantes da CEI. De longe, foi o mais esclarecedor, sinalizou Garcia.


