Três vereadores de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão) iniciaram esta semana os trabalhos da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar as dívidas de cerca de R$ 21 milhões da prefeitura referentes a Instituto Nacional de Serviço Social (INSS), Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e ações trabalhistas. A instalação da CEI da Dívida Pública foi sugerida por cinco vereadores, que apresentaram um requerimento à Mesa Executiva. A CEI foi aprovada por unanimidade na semana passada.
‘‘A equipe de transição do prefeito eleito Antônio Sena (PMDB) apurou o valor dessas dívidas e, como achamos que isso poderá inviabilizar a administração, resolvemos investigar’’, explicou o vereador peemedebista Francisco Costa dos Santos, que encabeçou o requerimento. ‘‘Queremos saber a origem dessa dívida e por que ela vem se arrastando sem que ninguém se preocupasse em esclarecer à população’’.
O valor da dívida é quase o dobro do orçamento de Goioerê previsto para o ano que vem, que é de R$ 12,5 milhões. Como o mandato dos atuais vereadores está acabando e a Câmara entra em recesso no dia 14, foram escolhidos para compor a CEI três vereadores reeleitos – Maria de Lourdes Freire Barros (PMDB), presidente; Ivan Garcia de Oliveira (PFL), relator; e Sebastião José dos Santos (PTB). Desta forma, os trabalhos poderão seguir normalmente no ano que vem.
O atual prefeito Vicente Okamoto (PFL) preferiu não falar sobre o assunto. Apenas anunciou que vai preparar um relatório sobre a situação das dívidas do município. O prefeito eleito afirmou que a situação é ‘‘terrível’’. Ele admite, porém, estar mais preocupado com a queda das receitas do município. ‘‘Dívida a gente renegocia. Pior é saber que só do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) vamos perder cerca de R$ 60 mil por mês a partir do ano que vem’’, lamentou.
De acordo com Sena, ele terá que enxugar ao máximo a folha de pagamento, que estaria consumindo 84% da arrecadação. O prefeito eleito, no entanto, não fala em demissão de servidores de carreira. Ele afirmou que uma das metas será aumentar a arrecadação dos impostos municipais, mas também negou aumento no valor de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). ‘‘Temos que ter mais gente pagando o imposto. Aumentar a alíquota é incompatível com o momento’’, ressaltou.

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