CEI da planilha está errada, garante CMTU
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quinta-feira, 09 de julho de 2009
Loriane Comeli<br>Equipe Bonde 
O prefeito Barbosa Neto (PDT) convocou o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Lindomar Mota, e o diretor de Transportes, Wilson de Jesus, para contestarem em entrevista coletiva na manhã de ontem o relatório apresentado pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara que apontou como possível a tarifa do transporte coletivo em R$ 1,99.
Apontaram dois supostos erros cometidos pelos vereadores, a CMTU chegou ao valor de R$ 2,22 para a tarifa. Hoje a passagem do ônibus é de R$ 2. No final do ano passado, o ex-prefeito Nedson Micheleti (PT) assinou o decreto aumentando para R$ 2,25, o que foi suspenso pela Justiça.
Segundo a CMTU, a planilha da CEI teria erros que causariam distorções no preço final do transporte. Um dos equívocos é a omissão de dez veículos na frota das duas concessionárias do transporte coletivo, Francovig e Grande Londrina, que juntas, segundo a CMTU têm 339 ônibus e não 329, como apontaram os vereadores. Este erro causa um impacto de R$ 0,06 na tarifa, que deveria ser então de R$ 2,05 e não de um R$ 1,99, disse Wilson de Jesus.
O segundo erro seria a sonegação de 240 motoristas e cobradores. Documentos oficiais demonstram que as empresas têm 240 funcionários a mais, garantiu Lindomar, referindo-se ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, que deve ser atualizado pelas empresas mensalmente. Este equívoco representou, segundo a CMTU, defasagem de R$ 0,17, o que faria com a tarifa apontada pela CEI chegasse a R$ 2,22.
Outros erros foram constatados na planilha da CEI, porém, não foi calculado o impacto financeiro na tarifa. Eles apresentaram três tipos de pneus com diferentes preços, mas, na verdade, apenas um é utilizado; colocaram valores idênticos para carroceria e chassi, mas o chassi é muito mais caro; e também não concordamos com o número de passageiros trans-portados, exemplificou o diretor de transportes.
Questionado se os integrantes da CEI teriam agido de má-fé ao incluir dados equivocados na planilha, Barbosa desconversou. Não acho que estejam agindo politicamente; são pessoas responsáveis. Esta semana Barbosa e seu líder na Câmara, Joel Garcia (PDT), que presidiu a CEI, se desentenderam publicamente e, por meio da imprensa, se criticaram mutuamente. Ontem, porém, mais comedido, Barbosa disse estar preocupado com a repercussão que eventual aumento da tarifa poderia trazer. Já houve morte em Londrina por causa do aumento da tarifa. Não queremos que isso volte a acontecer, afirmou. Por mim eu não aumentaria o valor da tarifa, mas temos que ser responsáveis, não podemos jogar para a torcida.
O indicativo de Barbosa e do presidente da CMTU é que a tarifa irá aumentar. No entanto, eles não confirmaram se o aumento mínimo seria para o valor de R$ 2,22. Cada item impacta a planilha de uma forma; pode ser que nos nossos cálculos haja valores menores que os apresentados pela CEI em algum item, afirmou Lindomar Mota. A CMTU está analisando os gastos do transporte coletivo e reformulando a planilha para informar a nova tarifa, mas não há data para o fim deste estudo.
Lucro
A CMTU confirmou os valores apresentados pela CEI como sendo efetivamente o lucro da Grande Londrina nos últimos três anos. Em 2006, o lucro líquido foi de R$ 770 mil; em 2007, R$ 1,48 milhão; e em 2008, R$ 2,4 milhões. Os diretores da companhia apresentaram também o faturamento das empresas, para que fosse calculado o percentual de lucro. Em 2006, foi de 1,08%; em 2007, 2%; e em 2008, 3,28%.
A tarifa está sem reajuste em Londrina há 42 meses e, mesmo assim, até o ano passado a empresa registrou lucro. Este ano, no entanto, já estão registrando prejuízo, afirmou Lindomar, conforme já havia declarado Gildalmo Mendonça, diretor geral da TCGL. É preciso ponderar se 3% não é um lucro razoável para uma empresa que teve faturamento de R$ 75 milhões.


