Faltando 13 dias para vencer o novo prazo da entrega do relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga irregularidades na criação e no treinamento da Guarda Municipal (GM) nenhuma reunião foi feita para que o documento fosse reescrito. O primeiro prazo para a entrega era o último dia 6, mas o relatório feito pela relatora da CEI, vereadora Lenir de Assis (PT), não foi aceito pelos demais parlamentares que compõem o grupo - Jairo Tamura (PSB), presidente, e Tito Valle (PMDB) - e por isso novo prazo foi pedido.
A nova data para entrega do relatório está marcada para o próximo dia 5 e um novo documento deveria estar sendo escrito, com encaminhamentos diferentes dos apontados pela petista. Porém, a única reunião que havia sido agendada para discutir o novo relatório foi desmarcada por Tamura e poucos dias depois ele apresentou atestado médico à Casa. Por esse motivo, nenhuma nova reunião foi agendada, o que sugere que, provavelmente, mais 30 dias deverão ser pedidos, adiando novamente o resultado da investigação.
A vereadora Lenir anunciou publicamente seu descontentamento com os demais vereadores e afirmou na época que seu ''relatório está claro, ficou pronto a tempo e foi feito de forma transparente'', ressaltando ainda que não entendeu o motivo da recusa dos vereadores em assinar o relatório. Os encaminhamentos dados por ela, segundo Tamura, não agradaram ''todos os vereadores'' e por isso ele foi rejeitado, será reescrito e colocado em votação.

Denúncia e encaminhamentos
A denúncia que Joel Garcia (PTN) entregou na Câmara Municipal aponta que a empresa sul-matogrossense, Delmondes&Dias, além de ter recebido R$ 39 mil por aulas de tiro com pistola que não ministrou aos alunos da guarda, não teria dado o curso de treinamento, já que as aulas foram coordenadas pelo capitão da Polícia Militar, Marcos Ginotti Pires. O relatório de Lenir deve confirmar que existiu irregularidade na contratação da empresa, já que a aula inaugural das turmas foi dada no dia 12 de abril - com a presença do prefeito - mas o contrato com a Delmondes foi assinado somente no dia 25 de maio. Ou seja, 49 dias depois do início do curso, que foi encerrado dia 30 de junho.
Além disso, o contrato total era de R$ 303 mil por quatro turmas de 50 alunos, considerando as aulas de tiro. A empresa treinou, porém, cinco turmas e teria que receber um aditivo de 25% do valor do contrato. Por conta do pedido desse aditivo, o ex-secretário de Defesa Social, Benjamin Zanlorenci, foi exonerado do cargo, mas quem efetuou o pagamento das aulas de tiro e não aceitou pagar o aditivo do contrato das aulas teóricas foi o secretário de Gestão Pública, Marco Cito, o que pode, portanto, gerar encaminhamento de penalidade para ele também.
O relatório de Lenir pode pedir a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito, pela contratação tardia da empresa, e que a procuradoria da Prefeitura apure qual a responsabilidade de Cito nas irregularidades que deverão ser apontadas. Como não concordaram com os encaminhamentos da relatora, o relatório que será refeito pelos demais vereadores provavelmente isentará o prefeito e seu secretário das irregularidades, ou de pelo menos, parte delas.
O vereador Jairo Tamura não foi encontrado para comentar o motivo da CEI não ter marcado novas reuniões para discutir a GM e o vereador Tito Valle estava em viagem e não atendeu o celular. A vereadora Lenir de Assis comentou que ainda ocupa o cargo de relatora da CEI e que aguarda novo agendamento da reunião.

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