Os vereadores Rony Alves (PTB) e Joel Garcia (PP), integrantes da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidades na Secretaria de Educação de Londrina, passaram a tarde de ontem em vistoria nos locais em que ficaram acomodados os livros da coleção ''Vivenciando a Cultura Afrobrasileira e Indígena'', apontados como racistas por entidades do movimento de igualdade racial. Os 13,5 mil livros, que custaram R$ 621 mil, nunca foram utilizados e a Secretaria de Gestão Pública anulou a compra feita no ano passado sem licitação.
Depois de terem sido recolhidos das escolas por recomendação do Ministério Público, os livros foram guardados no prédio da Supercreche (onde fica parte do almoxarifado da Secretaria de Educação) e muitos foram danificados em função de fortes chuvas em outubro do ano passado. De lá foram levados à Central de Logística Reversa (outro depósito do município), em um barracão do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), na Zona Oeste. Recentemente, a Secretaria de Gestão Pública requisitou os livros, para dar continuidade ao processo de anulação.
Na secretaria, foram localizados cerca de 11.400 livros. O perito do Instituto de Criminalística, Luís Noboru, levou 13 exemplares danificados pelas chuvas para serem periciados. O secretário de Gestão, Fábio Reali, disse que o fato de haver livros danificados não impede a restituição pela Editora Ética, da Bahia. ''Os livros estão à disposição da empresa. Se ela não os quiser de volta, vamos ter de reciclar esse material, que, se não serve para os alunos de Londrina, não servirá para nenhuma outra cidade'', disse.
O advogado da editora, Ruy Correa, disse que a empresa não pretende devolver o recurso. O argumento é que a secretária de Educação, Karin Sabec, escolheu o livro e, na época da compra, o considerou absolutamente próprio para o uso com alunos de 1 a 5 séries.
Dos três integrantes da CEI da Educação, apenas o vereador Padre Roque (PR) não participou da vistoria.

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