O relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Educação, entregue ontem na Câmara de Vereadores de Londrina, indica a responsabilidade do prefeito Barbosa Neto (PDT), de ex-secretários municipais e de uma servidora nas irregularidades apontadas na compra de livros didáticos e uniformes escolares pela administração municipal. No entendimento dos vereadores Rony Alves (PTB), presidente da CEI, Joel Garcia (PP), relator, e Roque Neto (PR), membro, o prefeito foi diretamente responsável pela falta de fiscalização nos contratos. Eles sugerem que o pedetista seja alvo de uma Comissão Processante (CP). Atualmente, Barbosa já se defende na CP da Centronic. Além disso, a CEI conclui que todos os responsáveis devem devolver, solidariamente, R$ 621 mil aos cofres públicos - referente à compra da coleção Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena. O relatório tem cerca de 20 mil páginas. O processo todo demorou mais de 140 dias e 17 pessoas foram ouvidas.
O relatório ainda vai ser levado à votação assim que as sessões legislativas voltarem, no próximo dia 2. O vereador Joel Garcia (PP) já adiantou que, assim que o relatório for aprovado, ele deve entrar com o pedido de abertura de CP contra o prefeito.
O vereador Rony Alves explicou que, em relação aos livros didáticos, o processo inteiro foi ''uma confusão''. Segundo uma das testemunhas, o livro que foi indicado e analisado para a compra era da coleção ''História da Cultura Afro-brasileira e Indígena'', mas a Secretaria de Educação adquiriu os livros da coleção ''Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena''. ''Além disso, a Editora Ética ofereceu a compra das duas coleções, cerca de sete mil edições, com 20% de desconto, mas a prefeitura não aceitou'', disse Rony. ''A impressão é que alguém iria pela porta da cozinha buscar o desconto mais tarde.''
Em relação aos uniformes, o vereador explicou que o prejuízo calculado gira em torno de R$ 2 milhões, em uma compra avaliada em R$ 6,9 milhões. ''Primeiro que a prefeitura entrou em um tipo de licitação condenada pelo Tribunal de Contas (por carona), depois mudaram os itens do kit. Muitas coisas foram mudadas, como as cores da camiseta, os revestimentos do tênis e das mochilas. Tudo isso trouxe um prejuízo enorme aos cofres públicos'', explicou Rony.
Os vereadores entenderam que houve negligência do prefeito na administração e na fiscalização dos dois contratos. A CEI também aponta responsabilidade dos ex-secretários Fábio Góes (Planejamento), Marco Cito (Gestão Pública) e Karin Sabec (Educação) e da servidora Lucimara Campos Carrer, considerada braço direito de Karin. ''Karin e Cito jogaram a culpa um para o outro, mas acreditamos que todos sabiam das irregularidades e fizeram todo esse processo juntos'', afirmou.

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