CEI da Cultura propõe acareação de depoentes
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quarta-feira, 15 de outubro de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores de Londrina, que apura supostas irregularidades em projetos beneficiados pela Lei de Incentivo à Cultura, deverá realizar na próxima semana, a primeira acareação entre depoentes.
Deverão ser colocados frente à frente, Guilherme Ferreira e Regina da Silva Reis. Ambos participaram do projeto Viola de Coité, e prestaram depoimento ontem à CEI. ''Foram dois depoimentos bastante contraditórios. Devemos fazer na semana que vem, uma acareação entre os dois e demais membros do grupo (Viola de Coité)'', disse o presidente da CEI, Rubens Canizares (PHS).
Entre 2000 e 2002, o projeto recebeu da Lei de Incentivo, R$ 70,7 mil. ''Foram gastos de R$ 70 mil em que 12 pessoas foram ensinadas a tocar viola. A Regina, que assumiu ser a coordenadora, não conseguiu comprovar a realização de oficinas. Gastar R$ 70 mil com isso é demais'', afirmou Canizares.
Regina, que é servidora da Secretaria de Cultura, disse em seu depoimento que as duas oficinas previstas no projeto foram realizadas. ''O projeto em si já é uma contrapartida social. As oficinas foram feitas'', resumiu. Segundo ela, as oficinas foram coordenadas pelo violeiro Braz da Viola, de São José dos Campos (SP), que seria um dos idealizadores do Viola de Coité. Durante o ano de 2000, Braz da Viola foi contratado pelo projeto e recebeu R$ 14 mil por aulas quinzenais aos membros do grupo.
A servidora ainda esclareceu que os pagamentos feitos à ela, ao marido e ao filho, seriam por serviços prestados. Juntos, eles teriam recebido mais de R$ 6 mil. A servidora ainda afirmou que os três pagamentos feitos à ela, de R$ 960 cada, teriam sido repassados à Orquestra de Viola de São José dos Campos (SP), por uma apresentação em Londrina.
No depoimento, Ferreira afirmou que as oficinas não foram realizadas. ''Isso nunca existiu.'' Em 2002, Ferreira denunciou irregularidades no projeto, que gerou uma sindicância interna contra Regina por determinação da auditoria do município. O processo ainda não foi encerrado. A prestação de contas de 2000 e 2001 foram reprovadas pela auditoria.
Regina ainda informou que em uma ação movida contra Ferreira, ele teria sido condenado a pagar R$ 4 mil por danos morais. A CEI tomará outro depoimento amanhã. O nome do depoente não foi revelado.


