CEI critica subsídio de empresas a sindicato do transporte coletivo
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O depoimento prestado ontem pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, à Comissão Especial de Investigação (CEI) do transporte coletivo, levantou críticas quanto à vinculação financeira entre as empresas que operam o sistema e o órgão de representação dos funcionários. De acordo com a CEI, documentos entregues por João Batista mostram que os dois sindicatos da categoria - Sinttrol e Federação dos Trabalhadores no Transporte Coletivo - são subsidiados pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) em aproximadamente R$ 57 mil por mês, ou R$ 684 mil por ano. Os valores são classificados como fundo social e contribuição assistencial. O Sinttrol representa aproximadamente 1,7 mil funcionários da TCGL e Francovig. Os valores que seriam repassados pela Francovig não foram divulgados.
Para nós, ficou a impressão de que o sindicato funciona como apêndice das empresas, declarou o presidente da CEI, Joel Garcia (PDT). De acordo com ele, os valores não são descontados dos funcionários. É uma contribuição das empresas e agora queremos saber de onde se arrancam quase R$ 700 mil por ano, já que eles não estão na planilha, afirmou. Para Garcia, é preciso se avaliar se há impacto destes repasses no valor da tarifa.
O vereador Tito Vale (PMDB), que é membro da CEI, reforçou as críticas ao Sinttrol. Isso é muito preocupante porque fere a liberdade sindical, que é a alma do sindicato.São valores extraplanilha, confirmou.
O presidente do Sinttrol, João Batista, confirmou o repasse dos valores e afirmou que representam conquistas da categoria. Ele negou que haja vinculação entre as declarações do Sinttrol favoráveis ao aumento da tarifa e a contribuição das empresas.
Não existe cabresto. O repasse está previsto na convenção coletiva de trabalho, disse. Ele confirmou que os valores não são descontados do salário dos trabalhadores. Encontramos uma fórmula mais suave para não repassar ao holerite e não haver incidência de encargos, disse.
O ex-presidente da CMTU e ex-secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, afirmou que as empresas já tentaram, informalmente, incluir os repasses na planilha para efeito de reajuste da tarifa. Não foi aceito. Eu só aceitava o que pode ser documentado, afirmou. Sela também prestou depoimento ontem à tarde à CEI. Ao deixar a Câmara, ele afirmou que existe uma planilha específica do Psiu - sistema de microônibus operado pela TCGL. A declaração foi rebatida por Joel Garcia. Não é verdade. Estão elaborando agora a pedido nosso, disse.


