CEI confirma dívida de Grêmio com seguradoras
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quarta-feira, 18 de maio de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga o pagamento feito por representantes dos servidores municipais a seguradoras obteve ontem a primeira confirmação de dívida por parte do Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina. Segundo informações coletadas pelos vereadores junto à Bradesco Seguros, só da apólice individual de um grupo de 150 segurados a dívida já estaria próxima de R$ 97 mil, referentes a 13 meses não pagos.
A CEI também atua junto a outras cinco entidades, mas foi o Grêmio o pivô da denúncia feita pelo aposentado Mauro Lúcio de Oliveira à Câmara e à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que agora querem saber se houve apropriação indébita dos repasses efetuados mensalmente pelo Executivo.
A reunião iniciada ontem às 9h30 deve ser concluída somente hoje ou amanhã. Entretanto, o presidente da Comissão, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), adiantou que o grupo teve acesso não só à fatura a ser paga, como também à negociação proposta à Bradesco pela atual presidência do Grêmio R$ 30 mil à vista, mais 24 parcelas de R$ 1 mil. ''Os outros R$ 43 mil eles alegam ser da gestão passada'', afirmou Tamarozzi, segundo o qual o débito se arrastaria desde abril do ano passado. ''Pelo que a seguradora nos confirma, o último pagamento do Grêmio foi feito em julho do ano passado, referente ao mês de março. Agora é saber o que foi feito do dinheiro descontado e não usado para as parcelas que viriam depois'', declarou. Ainda conforme o vereador, todos os sinistros ocorridos desde então teriam sido pagos pela empresa, cuja carência de atraso é de três meses.
Quando da denúncia, tanto Tamarozzi quanto o presidente atual do Grêmio, Luiz Bispo da Silva, falavam também de uma dívida de pelo menos R$ 160 mil, do ano passado, correspondente a quatro meses de atraso das apólices de seguro de vida coletivo. A confirmação de mais esse montante deve ficar para a semana que vem. ''Esperamos para terça-feira a resposta dos ofícios encaminhados pela CEI à Bradesco Seguros, em Curitiba, e à Real, aqui de Londrina.''
A parte final da reunião não conclusa ontem deve ser remessa de um questionário à Prefeitura de Londrina, já que, explica Tamarozzi, ''é ela que determina quem pode ou não ser entidade estipulante (ou seja, que intermedia o segurado e a seguradora)''. Para o vereador, o ofício respondido pela Secretaria Municipal de Gestão Pública não teria sido suficiente para solucionar as dúvidas. ''O Executivo diz que é mero repassador dos descontos em folha de pagamento, mas queremos saber se isso não pode ser feito direto à seguradora, como já foi, e se a Prefeitura não tem mesmo responsabilidade jurídica no caso'', argumentou. A Controladoria Geral do Município já descartou esse tipo de interferência em uma ''relação privada'' , mas a Folha apurou que, para receber a dívida, a matriz da Bradesco no Rio de Janeiro estuda entrar com ação judicial contra o Grêmio ou contra a Prefeitura.


