CEI apura ''empréstimo'' misterioso
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terça-feira, 13 de junho de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
No mesmo mês (maio de 1998) em que recebeu R$ 186 milhões resultantes da venda de 45% das ações da Sercomtel, a Prefeitura de Londrina fez uma misteriosa operação de crédito de R$ 12 milhões junto à Banestado Corretora, dando como garantia um lote de ações da própria Sercomtel. Como o município não pagou, o Banestado acabou ficando com 2,4 milhões de ações preferenciais da empresa.
O fato causa estranheza ao vereador Tercílio Turini (PSDB), que agora quer saber onde foram parar os R$ 12 milhões. Turini faz parte da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara que apura irregularidades nas administrações direta e indireta o que inclui a Sercomtel.
Detalhes da operação foram divulgados ontem, quando membros da CEI se reuniram para ouvir depoimentos de três pessoas. Turini contou que já tinha informações sobre o empréstimo que a prefeitura fez junto à Banestado Corretora e obteve a confirmação quando, em março, enviou (junto com a vereador Elza Correia, do PMDB), um pedido de informações ao prefeito afastado Antonio Belinati (PFL).
Como resposta, o vereador obteve cópias da transação com o Banestado e também ofícios mostrando que as ações foram repassadas ao banco. Ele lembrou que 45% das ações da Sercomtel foram vendidas à Copel em 15 de maio de 1998 por R$ 186 milhões. Segundo balancete enviado pela prefeitura, o dinheiro foi aplicado no mercado financeiro e se transformou em R$ 204 milhões aos cofres públicos. Estranhamente, quando a prefeitura tinha todo esse montante em caixa, duas semanas depois, no dia 27 de maio, a prefeitura fez uma operação com a Banestado Corretora no valor de R$ 12 milhões, observou.
De acordo com o contrato de compra e venda de apções de compra de ações da Sercomtel, a Banestado adquiriu 2,4 milhões de ações por R$ 12 milhões. Mas a corretora se obrigou a vender a totalidade das ações por R$ 13.752.000,00 diretamente para o município. Caso o município ou a Sercomtel não se manifestassem até o dia 23 de novembro de 98, a Banestado Corretora reservava-se o direito de ficar com as ações. Isso acabou acontecendo em janeiro de 99.
Mostrando documentos, como uma cópia de um ofício assinado por Belinati, Turini explicou que a transferência dos 2,4 milhões de ações preferenciais (as que não dão direito a voto) foi feita em janeiro de 99. Isso significa que não é só a Copel que possui ações da Sercomtel, observou. Mas o que queremos saber é por que foi feito este empréstimo e onde esse dinheiro foi gasto, disse.
Turini contou que o presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, foi questionado sobre o assunto, quando, recentemente, prestou depoimento à CEI. Ele disse que o responsável pela operação foi a prefeitura e apenas foi informado posteriormente, contou. Pavan foi procurado ontem pela Folha e confirmou esta informação.
O secretário municipal da Fazenda, Jair Gravena, foi ouvido ontem pela CEI e, segundo Turini, também foi questionado, mas alegou que a transação ocorreu quando ainda não fazia parte do primeiro escalão da prefeitura. Deveremos enviar um ofício ao Executivo pedindo esclarecimentos, informou. A Folha telefonou para o ex-secretário da Fazenda, Luis César Guedes, mas ele não retornou à ligação.
A CEI geral ouviu ontem também o gerente da Vega Ambiental, Aroldo Olivatti, e o presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Gustavo Santos, que falaram sobre a coleta de lixo.


