A Câmara de Vereadores de Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão) vota no próximo dia 26, em segundo e último turno, o relatório de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) que aponta suposto desvio de aproximadamente R$ 200 mil de verbas públicas. Conforme a investigação, o dinheiro teria sido subtraído do caixa do Município por meio de notas frias que quitariam dívidas de campanha do atual prefeito, Celso Ferreira (PFL).
A denúncia de ireegularidades foi apresentada à Câmara pelo ex-coordenador da campanha de Ferreira no pleito de 2004, o médico Joaquim Antônio de Lima, filiado ao PPS e ex-prefeito do município por dois mandatos.
De acordo com Lima, ele teria sido procurado por comerciantes locais que reclamaram de ter emitido notas a assessores do prefeito para serviços e fornecimento de materiais à administração, mas que nunca teriam sido efetivados. O empréstimo de R$ 200 mil para a campanha, diz ele, não teria sido contraído desses comerciantes, ''mas de particulares, gente da comunidade''.
''O curioso é que logo que ele assumiu, em janeiro de 2005, as notas frias começaram a ser emitidas'', afirmou. Perguntado se os comerciantes sabiam da irregularidade da emissão de notas a serviços não prestados, admitiu: ''Imagino que sim, pois é óbvio que tinham interesse em manter contato mais estreito e ser 'prestigiados' pelo Executivo, depois, e isso não aconteceu.''
Questionado sobre a evidência de efetivo desvio dos cofres, por meio das notas, o médico citou notas de combustível apresentadas pelo Executivo em janeiro de 2005. ''Disseram ter pago ao posto R$ 28 mil em janeiro para transporte escolar, e justo em época sem aulas'', citou.
O relatório da CEI lista uma série de depoimentos de testemunhas que afirmam ter emitido as notas a emissores de Ferreira. Na prestação de serviços - a grande maioria, não confirmada pelos depoentes -, há desde a suposta construção de escritório para departamentos da prefeitura, até a edificação de uma casa no pátio da rodoviária.
A votação, tumultuada em função de protestos das galerias, teve de ser desempatada pelo presidente da Casa: foram cinco votos a favor do relatório, e quatro contra.
A FOLHA tentou contato com o prefeito ontem, durante toda a tarde, mas ele não foi localizado para comentar o assunto.

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