O encaminhamento ao Ministério Público (MP) de mais três leis com ilegalidades que poderiam sinalizar cobrança de propina de empresários de Londrina será discutido hoje em uma reunião com entidades da sociedade civil organizada. A organização é do Clube de Engenharia e Arquitetura (Ceal), que sediará o encontro agendado para as 18 horas.
De acordo com o presidente do Ceal, Nelson Brandão, a mobilização das entidades é uma forma de elas acompanharem e auxiliarem os trabalhos do MP na investigação sobre o Legislativo, uma vez que, no último dia 16, o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) e os vereadores Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB) foram denunciados em ação penal do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pelos crimes de concussão e formação de quadrilha. Conforme a peça de acusação, eles participariam de um esquema de cobrança de propina a três empresários como forma de agilizar ou não apresentar retaliações, na Casa, a projetos de lei que os beneficiassem - de alteração de horário de funcionamento de comércio, doação de terreno público e mudança de zoneamento. À exceção de Barros, os demais negam a acusação.
Brandão disse que pelo menos três leis aprovadas recentemente, analisadas por profissionais ligados ao Ceal, contêm ''ilegalidades gritantes'' - sobretudo, explicou, por ''desrespeito a pareceres técnicos'' do Instituto de Pesquisa e Planejamennto Urbano de Londrina (Ippul) e do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (CMPU). Sobre o teor das leis, o presidente do Ceal declarou apenas que se referem a abertura de loteamentos e a mudanças de zoneamento.
Questionado a respeito de quais outras formas as entidades poderão subsidiar a apuração do MP, o engenheiro adiantou: ''Queremos estudar maneiras de empresários que tenham sido vítimas de achaques denunciem o caso por meio da entidade de classe. Eu, por exemplo, tenho conhecimento de três ou quatro casos do setor de construção'', sinalizou, para completar: ''Mas essas pessoas têm medo de falarem e sofrerem retaliações. Daí entra a sociedade organizada oferecendo respaldo''.
Também presente na reunião de sexta com o promotor, quem também deve estar na reunião de hoje do Ceal é o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rubens Benedito Augusto. Segundo o empresário, ''informalmente são várias as informações'' que a associação estaria recebendo de supostos achaques. ''Se os próprios promotores demonstram que o problema não é só com o Henrique Barros, queremos esse esclarecimento - bem como, ainda, que empresários mal intencionados respondam por seus atos''.
O promotor Leonir Batisti considerou positiva a articulação das entidades, cujos representantes se reuniram com ele, sexta passada, para conversar a respeito das formas de auxílio. ''Pode ser que o exame dos órgãos técnicos, sobre as leis, aponte irregularidades na substância do projeto; isso implicaria, na sequência, em se investigar se a aprovação foi por uma decisão política ou se nisso houve o ato ilícito'', definiu. ''Se o parecer técnico não é considerado e há ilicitude, a investigação pode, sim, se voltar à nulidade dessas leis'', acrescentou Batisti.

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