CCJ proíbe pagar salário a suplentes licenciados
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, em votação simbólica realizada ontem, considerou ilegal o pagamento de salários a suplentes que tomaram posse e se licenciaram em seguida para assumir cargos nos estados. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai levar o assunto à reunião da Mesa Diretora terça-feira. Para Temer, a Mesa deverá acompanhar a decisão da CCJ E porá fim à chamada indústria de suplentes.
Irritado com a insistência do presidente da Câmara em dizer que os senadores têm muito mais privilégios que os deputados, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), chegou a recusar,ontem, um almoço com Temer e voltou a criticá-lo. Em conversas no Senado, ACM afirmou que, para ele, o assunto estava encerrado, mas não perdeu a chance de provocar Temer ao justificar sua declaração: Eu não preciso ficar demonstrando coragem; agora, se ele (Temer) precisa...
A situação entre os dois presidentes não está nada boa. Amigos em comum tentaram aliviar a tensão, conversando ora com um, ora com outro, mas o senador não escondeu sua mágoa. Disposto a desfazer o clima ruim, Temer chegou a propor um almoço juntos. ACM mandou um recado para que o encontro ficasse para a próxima semana. Ao saber pelos jornais das novas críticas de Temer, o senador mudou de idéia e decidiu não mais aceitar o convite.
Antes de embarcar ontem para o interior de São Paulo, onde passará o fim de semana em um spa cujo nome é mantido em segredo, Magalhães reuniu a Mesa do Senado e avisou aos integrantes que não aceitará nenhuma decisão que possa parecer privilégio a senadores. A queixa do senador é com a resolução 63/97, que permitiu a contratação, pelos senadores, de mais dois funcionários em cargos de confiança, cujo salário é de R$ 4.800,00. Aos colegas da Mesa, o presidente do Senado lembrou ter sido contrário à aprovação da resolução.


