Arquivo FolhaEnfim, livreChicão Brígido: em duas semanas, inocentado em dois processosA Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara livrou ontem da perda do mandato os deputados Osmir Lima (PFL-AC), Zila Bezerra (PFL-AC) e Chicão Brígido (PMDB-AC) - os três acusados de vender votos para aprovar, em janeiro, a emenda da reeleição, numa operação sob o comando do governador do Acre, Orleir Cameli (PFL). O relator do processo, Nelson Otoch (PSDB-CE), havia recomendado a cassação dos três.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), imediatamente depois da divulgação do resultado, anunciou que vai instalar o mais rápido possível a comissão especial para analisar proposta de emenda constitucional ampliando os poderes da CCJ para investigar deputados. O presidente da Câmara havia assinado a representação enviada à CCJ que sugeria a cassação dos três deputados acreanos.
Por estratégia do PFL, a comissão teve de votar separadamente o pedido de cassação dos três deputados. Os pefelistas Zila e Osmir Lima tiveram então o julgamento desvinculado do de Chicão Brígido, que há duas semanas fora inocentado pela CCJ em outro processo (aluguel de mandato). Apesar dos protestos do relator, que apresentou um parecer único, e dos deputados Jarbas Lima (PPB-RS) e José Genoíno (PT-SP), a CCJ decidiu o futuro dos acusados em urnas separadas.
Lima e Genoíno temiam uma manobra pefelista para livrar Zila e Osmir da cassação, uma vez que a situação do peemedebista Chicão Brígido na Casa era mais delicada por ser réu confesso no outro processo. ‘‘Vão tentar corrigir o erro e sacrificá-lo’’, afirmou Genoíno. Mas, ao contrário das previsões, Chicão Brígido também foi absolvido.
Por duas vezes, antes da votação, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), circulou pela CCJ cumprimentando todos os integrantes e conversando reservadamente com alguns pefelistas.
A denúncia foi baseada em gravações editadas da conversa telefônica grampeada dos deputados Ronivon Santiago (PFL-AC) e João Maia (PFL-AC) com o misterioso ‘‘Senhor X’’, alcunha dada pelo jornal ‘‘Folha de S. Paulo’’ ao denunciante. Nas fitas, eles dizem ter recebido R$ 200 mil por parte do governador Cameli para votar a favor da reeleição e que os outros colegas acreanos também teriam vendido seus votos.

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