BRASÍLIA - A oposição tentou ontem adiar por 30 dias a tramitação da emenda da reeleição no Senado, mas a proposta do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) foi rejeitada por 19 votos a 4. No dia em que deputados do Acre foram acusados de ter recebido dinheiro para aprovar a proposta na Câmara, o relator Francelino Pereira (PFL-MG) apresentou seu relatório à Comissão de Constituição e Justiça. Após a leitura, o presidente da CCJ, Bernardo Cabral (PFL-AM), concedeu pedido de vistas coletivo para o texto e a emenda deverá ser votada hoje. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), marcou para quarta-feira da próxima semana a votação em primeiro turno. O plenário voltará o segundo turno dia 4 de junho.
O relator recusou o pedido de adiamento da emenda, alegando que não poderia colocar seus colegas sob suspeitas em função das denúncias feitas contra cinco deputados. O assunto dominou a reunião da CCJ. O deputado Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que conhece o presidente Fernando Henrique Cardoso o suficiente para saber que ele não está envolvido nessa troca de votos. Mas frisou: ‘‘Acredito mesmo que ele (o presidente) deve ser o primeiro a querer esclarecer o assunto.’’
Já o líder da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE), insistiu na tese de que o episódio ‘‘vicia e macula a votação da proposta’’, impedindo o seu exame enquanto a Câmara dos Deputados não concluir a investigação sobre o assunto. ‘‘A matéria está sob suspeita de contaminação do ponto de vista ético’’, defendeu. Foi aparteado pelo líder do governo, Élcio Alvares (PFL-ES), que condenou a tentativa de estender as suspeitas de corrupção ao Senado.

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