CCJ autoriza crédito para Caixa Econômica
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa deu parecer favorável ontem à abertura de um crédito de R$ 100 milhões para o funcionamento da Caixa Econômica Estadual. O crédito foi aprovado de afogadilho e será discutido em plenário amanhã. O presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), informou que vai levar adiante a idéia, mesmo que o Banco Central não conceda a licença para o funcionamento do Banco, visto por ele como uma alternativa ao Banestado, que até junho do ano que vem deve ser privatizado.
Vou deixar que eles (do BC) derrubem a proposta, declarou Khury, satisfeito com o resultado da votação na CCJ. Mesmo assim, ele aguarda uma manifestação oficial do BC que, por meio de sua assessoria, em Brasília, já sinalizou que o processo de abertura de uma instituição financeira é complicado. Khury disse que já conversou com o governador Jaime Lerner (PFL) sobre o assunto. Ele vai sancionar, assegurou o deputado. A lei que criou a Caixa Econômica no Paraná é de 1967 e foi sancionada pelo ex-governador Paulo Pimentel (PFL).
A maior resistência ao projeto que regulamenta a Caixa Estadual vem da oposição. Renato Adur (PMDB), José Maria Ferreira (PSDB), Edgar Bueno (PDT) e Florisvaldo Rosinha Fier (PT) votaram contra. Para Adur a idéia foi buscada de um sarcófago. A abertura de um crédito agora torna-se inócua. Em vez de avalizarmos o funcionamento de um novo Banco, por que é que não nos unimos e defendemos a manutenção do Banestado nas mãos do governo?, questionou. O deputado do PMDB promete defender seu ponto de vista em plenário.
Florisvaldo Fier apresentou voto em separado contra a abertura de crédito, relatada por Eduardo Trevisan (PFL), que não levantou inconstitucionalidades. Não podemos legislar sobre questões que geram despesas. A Constituição é muito clara com relação a isso, protestou durante a votação, vencida com folga pelos deputados governistas. Estamos criando mais um monstrengo, afirmou José Maria Ferreira, que juntou-se ao coro da oposição. Nem o antigo Badep teve a sua liquidação concluída ainda. Não há razão para tratarmos disso agora, emendou o tucano.
Outro argumento apontado ontem pela oposição para minar a proposta do novo banco - que até por setores do próprio governo é vista com reservas - diz respeito aos gastos que uma nova instituição financeira exigiria. Não adianta nada criarmos uma caixa estadual. Com esse dinheiro (R$ 100 milhões) manteremos meia dúzia de escritórios funcionando. O que isso acrescenta?, protestou José Maria Ferreira. (L.D.)





