CCJ aprova plebiscito para criar Maranhão do Sul
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quarta-feira, 14 de março de 2007
Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Brasília - Se depender do senador José Sarney (PMDB-AP) e de seus aliados, o Brasil terá mais um Estado em breve: o Maranhão do Sul, cuja capital será a cidade de Imperatriz. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem a realização de um plebiscito para que o eleitorado da área opine sobre a criação dessa nova unidade da federação.
Os governadores têm marcado presença em Brasília cobrando do governo federal o aumento dos repasses de recursos para os Estados. Nesse caso eles teriam mais uma companhia, além de mais um ente para dividir o dinheiro já existente.
Entre os 49 municípios que fariam parte do Maranhão do Sul está um chamado ''Governador Edison Lobão'', que homenageia o autor da proposta, senador Edison Lobão (PFL-MA). O novo Estado, com 150 mil km2, abocanharia praticamente a metade do território do Maranhão e se tornaria o quinto maior Estado nordestino, superando Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe.
Apesar de seu domicílio eleitoral ser no Amapá, Sarney mora no Maranhão e é lá a base eleitoral de seu grupo, que inclui os filhos Roseana Sarney (PMDB) e Sarney Filho (PV). Nas últimas eleições Roseana foi derrotada na disputa para o governo do Estado por Jackson Lago (PDT), no primeiro revés eleitoral da família Sarney no Maranhão em 40 anos.
Sarney afirmou que a criação do novo Estado é uma reivindicação da população local. Os entusiastas da proposta não revelam o impacto para os cofres públicos da criação da nova estrutura administrativa e afirmam que o gasto seria positivo.
''Essa divisão territorial poderá beneficiar toda a população do atual Estado do Maranhão, em razão de ser previsível que os efeitos econômicos do aporte de recursos necessário à criação do novo Estado venha a repercutir além dos limites territoriais da parte que será desmembrada'', afirma Lobão em sua justificativa.
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) votou contra o projeto de decreto legislativo. ''Não tem nenhum fundamento um Estado carente de recursos como o Maranhão ainda duplicar sua estrutura administrativa'', disse ele.
Para embasar a proposta, Lobão afirma que a região sul do Maranhão tem fortes relações comerciais com outras regiões do país, o que enfraqueceria seu vínculo com São Luís, a capital do Estado. A população do Maranhão do Sul é estimada em pouco mais de um 1 milhão e 100 mil habitantes.


