A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) adiou para a próxima semana a votação da cassação do ex-líder do PTB Pedrinho Abrão (GO), acusado de cobrar propina para incluir no orçamento da União verbas destinadas à construção da barragem do Castanhão, no Ceará. O parecer do relator, Jarbas Lima (PPB-RS), é favorável à cassação do mandato do deputado.
O clima ontem na comissão era favorável à manutenção do mandato de Abrão (foto). Depois da ameaça do líder do PTB, Paulo Heslander (MG), de obstruir a votação de matérias importantes para o governo caso Abrão fosse cassado, o PFL decidiu reverter boa parte dos votos favoráveis à cassação do deputado. No PMDB, os ânimos também foram acalmados. Ainda ontem Heslander procurou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), para falar da sua disposição de obstruir as votações da emenda de reforma administrativa e do projeto que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF).
Depois da defesa de Abrão, feita pelo ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal Paulo Brossard, e da leitura do parecer do relator, com 150 páginas, o deputado José Genoíno (PT-SP) propôs o adiamento da votação para a próxima semana. Na avaliação de parlamentares que integram a CCJ, o adiamento da votação do parecer é bom para o governo e ruim para Pedrinho Abrão, porque a bancada petebista perdeu o instrumento de pressão política - que seria o de tentar obstruir a votação da emenda de reforma administrativa e a votação do FEF, prevista para hoje. A bancada do PTB na Câmara tem 23 votos e o partido integra a base de sustentação do governo.

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