Brasília - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara acatou ontem parte do recurso do deputado José Dirceu (PT-SP) contra o parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o que provocou a necessidade de repetir fases do processo. Com isso, Dirceu ganhou mais uma semana de prazo para tentar reverter a possibilidade de cassação do mandato dele no plenário da Casa. A oposição ainda tentou uma estratégia para cortar prazos e manter o julgamento no plenário hoje, mas esbarrou na falta de tempo para as questões formais do Regimento.
O advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima, comemorou a decisão da CCJ, que, no entanto, foi apenas parcialmente favorável a ele. ''Espero que o Supremo Tribunal Federal (STF) acolha nossa tese, mas, caso não a aceite, o deputado tem mais uma semana para trabalhar sua defesa'', afirmou Lima. Ele fez a defesa oral do recurso durante a reunião da comissão, ontem. A ação de Dirceu no Supremo, pedindo o fim do processo disciplinar, deverá ser votada hoje pelos ministros.
''Eu não estou confiante nem desconfiante, se é que existe essa palavra. Estou tranquilo'', afirmou o deputado do PT de São Paulo, sobre a votação no Supremo Tribunal. ''Já dei provas ao País que não temo ser investigado. Fizeram uma devassa na minha vida e não encontraram nada'', continuou. ''Não temo nada. Não peço clemência nem misericórdia. Quero um julgamento justo'', disse.
No relatório aprovado ontem pela CCJ, o relator, Sérgio Miranda (PDT-MG), concluiu que a ação contra Dirceu não poderia ter sido remetida à Mesa Diretora para a votação no plenário antes de julgamento do recurso na CCJ. O deputado Ivan Ranzolin (PFL-SC) apresentou uma contestação ao documento de Miranda, mas o placar foi favorável ao relator, com 34 votos contra 15.

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