Causas primeiras
Estão certos políticos e empresários de Londrina em se mobilizarem pelo futuro do Contorno Norte, uma das obras surrupiadas nos acertos do governo paranaense, desde Lerner e alcançando seu ápice com Beto Richa, quatro vezes indiciado nas trutas, com empreiteiras. É obra seminal, como se diz, para o futuro da região e é lamentável que não tenha havido maior acompanhamento do caso em seus desdobramentos e a consequente denúncia.
Uma das decisões desse encontro foi a de dialogar com procuradores federais para melhor se situarem e poderem, lá na frente, expor reivindicações técnicas que se ajustem às aspirações de um consenso quanto ao projeto final.
MP, o oposto
Pelo jeito, até porque é minimalista a oposição ao longo dos dois últimos governos, um sequência natural do outro, o Ministério Público estadual é a expressão do contraditório no processo de convivência. Estão aí as operações "Publicano", "Quadro Negro" e "Patrulha Rural" tramitando na justiça e com expressivas condenações de primeira instância.
Temos também uma ação permanente do Ministério Público relativamente às questões ambientais, como se deu com a via paralela litorânea que viabiliza o porto privado da Ponta do Poço em Pontal do Sul, batalha até aqui perdida. Agora o MP se volta contra um decreto da secretaria do Meio Ambiente que flexibiliza etapas do licenciamento voltado para obras de menor impacto. Pode até ser radicalismo do MP, mas o que a prática tem ensinado é que o rigor tem sentido de ajuste educativo, tantas as irregularidades praticadas por Beto Richa e que acabaram na justiça.
Ideia de flexibilizar ao máximo era também de Jair Bolsonaro, o que foi revertido com as tragédias da Vale do Rio Doce.
Joia
Ao depor na Câmara Federal o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse que a empresa é uma "joia" e não pode ser condenada por acidente por maior que seja a tragédia. Pode ser inepta, destruir, matar, irresponsável, mas continua "joia". Como dizia o Expedito de Oliveira, "embaixo de uma casca velha pode ter uma cascavel".
Menos médicos
A saída dos médicos cubanos gerou um colapso e persiste a ocorrência de vagas abertas. 13 municípios estão sem cobertura e 21 ainda tinham vagas abertas. O Conselho de Secretários de Saúde calcula a falta de 30 vagas. E isso se dá num momento de enfrentamento da febre amarela, com quatro casos confirmados (mais de cem notificações) e o alastramento do surto de dengue.
Blindagem
Para evitar que a crise impactasse a reforma previdenciária, os militares (dentre eles o vice Hamilton Mourão) e Rodrigo Maia, presidente da Câmara, deram cobertura a Gustavo Bebianno e aplacaram parte da onda. Bolsonaro não ficou bem nessa ao compartilhar nas redes sociais com o filho Carlos, que chamou o ministro de mentiroso. Tudo por causa do laranjal das cotas femininas que parecem obra de machismo radical.
Denúncia
Salpicos da Lava Jato no caso da "Integração" podem chegar em figuras do governo estadual, como se deu agora com o chefe da Casa Civil, Guto Silva, que teria recebido R$ 100 mil, caso que se ajusta á expressão "tico-tico" de Beto Richa. Delação é de executivo da Triunfo. E tem ainda o processo da "Rádio Patrulha", do Gaeco.
Cálculo
É possível, segundo entendidos da área, que potenciais laranjas tenham levado R$ 15 milhões de recursos públicos de pelo menos 14 partidos. Justiça eleitoral tem material de primeira para investigação. Ela não pode se surpreender com situações como a derrama do Caixa 2 na Lava Jato para depois agir. "Laranja madura// na beira da estrada// ou está bichada// oi Zé// ou tem marimbondo no pé//".
Vozes do mercado
Até aqui a marcha da reforma (idade mínima de 62 pra mulher e 65 pra homem) ainda não atingiu ponto abrasivo. Afirma-se, porém, que seu aspecto mais positivo é que a simples questão etária, sozinha, teria economizado cerca de R$ 400 bi, versão otimista. Já avaliação mais abrangente do Banco Safra é que ela poderia chegar a R$ 700 bi. Armínio Fraga, ex do Banco Central, acha que é cedo para esses cálculos e que tudo vai depender da dinâmica do Congresso. E de absorção de casos como o dos laranjas. O que prova que o governo é até aqui a maior oposição disponível.
Folclore
O Coxa, que tem o melhor repertório na Copa do Brasil dos times paranaenses, com duas finais e maior número de semifinais, deu vexame e é chamado agora de "pato de Minas" por ter sido desclassificado pela URT, lanterna absoluto do Mineirão. Para horror da torcida, isso se dá quando o Athletico leva a Sul-Americana.

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