Católicos rejeitam bloco parlamentar
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quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Clayton Levy Agência Estado 
A Igreja Católica evitará este ano influenciar os eleitores para a formação de uma bancada no Congresso, ao contrário dos evangélicos, que decidiram pela composição de um bloco parlamentar próprio. Isso sempre leva ao corporativismo da pior estirpe, disse ontem o bispo de Jales (SC) e coordenador da Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Demétrio Valentini.
Não queremos nos comparar a uma UDR (União Democrática Ruralista), que deseja proteger apenas os seus interesses, afirmou o bispo de Ji-Paraná (RO), d. Antonio Possanai. Os dois religiosos participam da 3ª Semana Social Brasileira, que será encerrada hoje, no Mosteiro de Vila Kostka, em Indaiatuba, no interior de São Paulo. A Igreja não quer usar o Parlamento para tirar vantagem, garantiu d. Demétrio.
Hoje, os 400 leigos católicos que participam do encontro em Indaituba pretendem entregar uma carta aberta aos candidatos que disputarão a presidência da República. Dos candidatos, seis confirmaram presença, entre eles o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente Fernando Henrique Cardoso foi convidado, mas avisou que não vai, por indisponibilidade de agenda.
Segundo os organizadores do encontro, além de Lula, confirmaram presença os candidatos José Maria Almeida (PSTU), José Maria Eymael (PSDC), Ivan Frota (PMN), Sérgio Bueno (PSC) e Vasco de Azevedo Neto (PSN). Achamos que o presidente Fernando Henrique não quer participar de um debate que levantará questões sociais, disse d. Antonio.
O presidente da regional norte da CNBB e bispo de Ji-Paraná (RO), d. Antônio Possami, afirmou que FHC colocou-se no pedestal. O bispo acrescentou, ironizando: Ele é inteligente e sabe selecionar. Aqui não existe uma platéia de analfabetos políticos.
A carta que os candidatos receberão também será distribuida amanhã na Praça da Sé, centro de São Paulo. O texto vai destacar as 28 grandes dívidas sociais levantadas pela Pastoral Social da Igreja, durante um ano de estudo, com a participação de leigos católicos ligados a 152 dioceses no País. Reforma agrária, desemprego e concentração de renda estão entre os principais itens.
Segundo o católico Ivo Poleto, ligado à Cáritas Brasileira, organismo da CNBB, e um dos responsáveis pela redação do texto, a carta apontará os responsáveis pelas dívidas sociais e conclamará a sociedade a um compromisso para as superar. Vamos destacar quem são as vítimas, os privilegiados e o papel do Estado, disse.


