No Brasil, a Igreja católica vem perdendo muitos fiéis. Para o arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, isso acontece por dois motivos: primeiro porque as pessoas são atraídas por outras religiões e, segundo, pela modernidade. ''A criança gosta mais de ir ao shopping do que à igreja. Não estamos conseguindo levar o fascínio de Jesus a todos.'' O arcebispo fala também sobre questões ainda consideradas tabus como proibição do casamento de religiosos e pedofilia.
Que Igreja o Papa Bento XVI vai encontrar no Brasil?
Ele vai encontrar uma Igreja de muita devoção com outras coisas, porém que precisa ser mais forte na Bíblia. E mais missionária. Se não crescermos na missão, vamos perder fiéis. O Papa vem aí para nos fascinar cada vez mais por Jesus.
Como fazer essa fascinação?
Temos que ser uma Igreja mais santa. A Igreja tem demonstrado o pecado no seu meio, mas nossa primeira vocação é a santidade. Queremos uma Igreja melhor, mais coerente, mais do evangelho. Uma catequese mais firme, celebrações que encham o coração.
Pedofilia é uma questão que provoca revolta e descontentamento entre os fiéis. Como é a punição?
O padre é como um filho do bispo. Quando vem a notícia de pedofilia, ou qualquer outra, a gente averigua. Vem uma notícia de gravidez, fazemos teste de DNA, porque as mentiras e as fofocas ''chovem'' por aí. Há inclusive perseguições. Quando se comprova o caso de pedofilia, o bispo é obrigado a afastar o sacerdote e denunciá-lo, porque senão o próprio bispo é culpado pelo crime. Muitas dioceses no mundo estão sendo processadas e estão num fracasso econômico, porque encobriram ou simplesmente transferiram o padre, e não tomaram a atitude certa. Com pedofilia não se brinca. Isso ficou claro depois desses escândalos na Igreja. É bom ressaltar que existem padres condenados e presos. A Igreja precisa ser transparente diante da sociedade e dela mesma.
A proibição do casamento de religiosos também é uma discussão polêmica. Afinal, por que padres não podem se casar?
Primeiro essa é uma lei da Igreja, não é uma obrigação bíblica, tanto que outras religiões que têm clero casado e celibatário. O próprio Jesus foi um grande celibatário, ele abriu o caminho dizendo que há celibatários por amor ao reino dos céus. Então é o reino de Deus que cativa a pessoa numa espécie de aliança, de casamento, de liberdade. O padre celibatário ajuda muito na evangelização, porque se torna mais maleável, pode ser transferido com mais facilidade.
Como o padre pode aconselhar casais sobre problemas conjugais se nunca passou pela experiência?
O padre que é ligado ao povo pode aconselhar. No meu caso, os casais diziam ''você, como celibatário, nos ensina muito mais sobre família do que nós sabemos''. Por quê? Porque eu aprendia com outros casais e repassava as experiências. Veja, não preciso dar à luz para entender de parto. Mas depende muito da pessoa. Se for desligada pode até prejudicar por falta de contato com a experiência humana, com o sofrimento humano.
Mas existem padres que se envolvem sentimental e sexualmente com fiéis. O que a Igreja faz nesses casos?
Quando causa escândalo, o sacerdote é afastado, pode perder o ministério ou optar por deixá-lo. Se quiser voltar, tem que fazer uma boa remodelação de sua vida, ser transferido e recomeçar tudo, porque não podemos dar mau exemplo. Se ele já tem filhos, deve pagar tudo aquilo que a lei manda. E, nos casos em que o padre recai, o bispo apela para a lei canônica, que prevê várias punições: advertência, descomunhão. Casos doentios e escandalosos têm que ser punidos com a lei.

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