Brasília - O presidente da CPI do Apagão Aéreo, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), disse ontem que a comissão não vai se submeter às exigências das Forças Armadas para convocar militares a prestarem depoimentos na comissão. Castro disse que a CPI vai apenas comunicar o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, quando for convocar militares a prestarem esclarecimentos sobre a crise aérea. Segundo Castro, não haverá nenhuma ingerência das Forças Armadas sobre a CPI no que diz respeito às convocações.
Segunda-feira, Castro recebeu um pedido da Aeronáutica para que as convocações não sejam feitas diretamente aos militares, mas encaminhadas ao comando da Aeronáutica - que ''liberaria'' os convocados.
O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ontem que a CPI tem autonomia para convocar autoridades da Aeronáutica nas investigações sobre a crise aérea do país. Segundo Chinaglia, a Constituição Federal e o regimento interno da Câmara autorizam a comissão a convocar militares durante as investigações.
Pelo roteiro de trabalhos definido ontem, a CPI encerra suas atividades no dia 11 de setembro (prazo de 120 dias para funcionar). A primeira parte dos trabalhos será dedicada à investigação sobre o acidente com o avião da Gol. Entre 3 e 29 deste mês, os deputados discutirão as causas, consequências e os responsáveis pelo acidente. A partir dessa conclusão, pretendem fazer uma interface entre o acidente e os problemas de controle de tráfego aéreo. De 30 de maio a 24 de junho, a CPI vai investigar o controle do tráfego aéreo e a infra-estrutura dos aeroportos. De 25 de junho a 1º de agosto o assunto será a organização e regulação do mercado. A infra-estrutura aeroportuária entra na pauta da CPI de 2 a 27 de agosto. De 28 de agosto a 11 de setembro a CPI entra na fase de conclusão dos trabalhos.

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