Cassio promete reajuste a 10 dias da eleição
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quinta-feira, 19 de outubro de 2000
De Curitiba 
A dez dias do 2º turno, a assessoria de campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), candidato à reeleição, está enviando aos 27 mil servidores municipais uma carta em que é divulgado um suposto reajuste salarial de 10% no próximo ano. Segundo a carta que, entre outros dez itens, promete a implantação de um plano de carreira para a categoria os recursos para o aumento já estão assegurados no orçamento de 2001.
A assessoria jurídica de Ângelo Vanhoni (PT), que disputa o segundo turno com Cassio, está ingressando com ação na Justiça Eleitoral, alegando que a iniciativa configura compra de voto. O artigo 41 da Lei 9.504/97, que regulamenta o processo eleitoral, considera crime oferecer benefícios econômicos em troca de votos.
O que o prefeito está fazendo é o mesmo que dizer: vote em mim que depois eu te dou 100 reais, comparou Emerson Fukushima, advogado do petista que elaborou a ação. A punição para a compra de votos vai de multa até a cassação do registro do candidato ou, se já eleito, de seu mandato.
Além da suposta compra de votos, segundo o PT, a campanha do prefeito teria usado os dados do cadastro de servidores documento de uso restrito da administração municipal para enviar a carta com as promessas à residência de cada funcionário. O material está sendo enviado pelos Correios. Não há a assinatura do prefeito-candidato, mas apenas a sigla dos partidos que formam sua coligação.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sismuc), Mário Casassa, também classificou a iniciativa como eleitoreira. Em quatro anos de mandato, temos uma defasagem salarial de aproximadamente 18%. Se o prefeito der os 10% que promete, ainda ficaremos com defasagem. Por que ele está anunciando isso a dez dias da eleição?, questionou o sindicalista.
A assessoria de imprensa da campanha de Cassio negou que a máquina administrativa esteja sendo usada para o envio das correspondências. Os dados utilizados não seriam do cadastro da prefeitura. Afirmou também que não haveria compra de votos porque, em nenhum momento da carta, é pedido o voto do servidor.
Segundo a assessoria, a carta só torna público o aumento, já previsto no orçamento, e não condiciona o reajuste ao voto no prefeito. (V.D.)


