Cassio prepara defesa contra denúncia
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terça-feira, 24 de outubro de 2000
De Curitiba 
A juíza Joeci Machado Camargo, da 1ª Zona Eleitoral de Curitiba, determinou ontem o prazo de cinco dias para que os advogados do candidato à reeleição, Cassio Taniguchi (PFL), apresentem as defesas das duas ações que pedem a impugnação da candidatura dele. O prazo passou a contar ontem, dia em que Cassio recebeu a notificação da Justiça Eleitoral. Como são ações diferentes, a Folha não conseguiu apurar com a assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná se, obedecendo a este critério, as defesas deverão ser encaminhadas até dia 29 ou 30.
A assessoria de imprensa de Cassio, porém, informou que a documentação será entregue nos dias 27 e 28. Os advogados do PT pediram a impugnação da candidatura (ou a cassação da diplomação, caso sejam eleitos) de Cassio e de seu candidato a vice-prefeito, Beto Richa (PTB), por prática de abuso do poder de autoridade, do poder econômico, e por oferecer dádivas aos eleitores. Na outra ação, com pedido de liminar, a mulher de Cassio, Marina Taniguchi, é acusada de usar a estrutura do Instituto Pró-cidadania de Curitiba (entidade da qual ela é presidente) para fazer campanha pela reeleição.
O coordenador jurídico do PT, Antônio Caetano de Paula Júnior, informou ontem que está reunindo mais provas materiais, como fotos e cópias de vídeos, para anexar nas ações que pedem a impugnação da candidatura adversária. O advogado não quis detalhar o que essas fotos e vídeos mostram, mas admitiu que são imagens de cabos eleitorais de Cassio. Caetano também adiantou que o partido está estudando a possibilidade de ajuizar uma ação em separado, pedindo para que a Justiça Eleitoral investigue a utilização da rede de computadores do governo estadual. Através do sistema de informática, aliados do prefeito estariam pedindo voto.
Sonegação fiscal O Ministério Público Federal já está investigando denúncia do PFL que, com base na declaração do Imposto de Renda de 1999, acusa o candidato do PT, Ângelo Vanhoni, de sonegação fiscal. A assessoria de imprensa da Procuradoria da República no Paraná, no entanto, afirmou que o procurador-chefe, Mario Ghisi, não vai, em hipótese alguma, fazer comentários sobre o trâmite da investigação às vésperas do segundo turno.
A Folha tentou confirmar se alguma medida semelhante foi tomada pela Delegacia Regional da Receita Federal, mas o responsável pelo setor de fiscalização não retornou as ligações da reportagem. De acordo com a denúncia dos advogados do PFL, Vanhoni omitiu informações à Receita sobre a compra do apartamento em que mora, nas proximidades do Graciosa Country Clube, no bairro Juvevê.
Segundo os advogados, Vanhoni informou à Receita que comprou o imóvel (de mais de 200 metros quadrados) em 1998, por R$ 250 mil, pagando uma entrada de R$ 35 mil. Mas a matrícula do imóvel número 41.277, do 2º cartório de registro de imóveis indica a assessoria jurídica de Cassio, mostra que o candidato do PT pagou R$ 265 mil pelo apartamento, sendo R$ 127 mil diretamente ao vendedor e o restante, financiado. O diretório do PFL quer saber como Vanhoni obteve o financiamento, já que declarou uma renda anual de R$ 120.010,00 no Imposto de Renda de 1999. Segundo os advogados, a declaração de renda é R$ 24 mil menor do que a projeção anual de rendimento que o candidato forneceu antes de fechar o negócio. (R.B.N)


