Curitiba - Após passar oito anos administrando Curitiba, o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) entrega amanhã o cargo a seu atual vice-prefeito, Beto Richa (PSDB). Em entrevista concedida a Folha às vésperas de deixar seu gabinete, Cassio não demonstra tristeza ou ansiedade: o prefeito conversa calmamente sobre suas realizações e seu futuro político enquanto dá as últimas ordens a seu secretariado.
A paciência oriental, aliás, foi uma das marcas da personalidade do prefeito até mesmo durante o que ele classifica como seu pior período na frente da prefeitura: o escândalo do Caixa 2, no final de 2000, quando o prefeito foi acusado de ter sonegado R$ 28 milhões em sua prestação de contas de campanha à Justiça Eleitoral. ''Na vida pública a gente alterna momentos felizes e outros mais difíceis, e a aprovação do nosso trabalho influi muito nisto. Mas este episódio lamentável do Caixa 2 sem dúvida foi o mais difícil, influindo até na minha vida pessoal. Mas felizmente a Justiça arquivou o processo por falta de provas e eu mostrei que era inocente'', afirmou Cassio.
O prefeito também não demonstra mágoas com Beto Richa, que desdenhou seu apoio nas eleições deste ano, mas manteve boa parte da equipe que esteve ao lado de Cassio nos últimos oito anos. ''Acredito que a cidade está no caminho certo e o Beto não terá dificuldades em manter o que já está feito em investir em outras áreas. Pessoalmente, eu gostaria de ter feito um pouco mais na área da Cultura, mas tivemos dificuldades'', argumentou.
Depois de entregar o cargo para Beto, Cassio irá tirar dois meses de férias. Depois disso, o prefeito pretende retornar as atividades políticas, já de olho nas movimentações para as eleições de 2006. ''Quem trabalha na vida pública tem sempre ideais que gostaria de ver realizados. Eu acho que ainda tenho muito a dar para Curitiba, para o Paraná e para o país. A partir de fevereiro, devo voltar aos trabalhos'', afirmou Cassio.
O prefeito é um dos nomes cotados para sair candidato ao governo pelo PFL, partido que encolheu muito desde que o ex-governador Jaime Lerner (PSB) deixou seus quadros. ''É cedo para falar em nomes, mas o partido precisa ter seu candidato. Temos que dar condições para que alguém possa disputar o governo, e temos que voltar o PFL para as grandes cidades. O PFL é um partido ainda muito feudal, e precisamos investir em quadros técnicos voltados para as cidades, como sociólogos e antropólogos'', argumentou.

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