Cassio exige saída de aliados de Beto Richa
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os secretários municipais que apóiam a candidatura do vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), às eleições para prefeito em outubro devem apresentar hoje seus pedidos de exoneração ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL). A decisão foi tomada após Cassio reunir-se ontem com os integrantes do primeiro escalão para pedir o apoio dos secretários à candidatura do candidato do PFL, o vereador Osmar Bertoldi.
Segundo Beto Richa, Cassio foi direto ao tratar com os secretários vinculados ao PSDB e ao PSB, que já declarou apoio a Beto no primeiro turno. ''Ele deixou bem claro que para os que quisessem apoiar a minha candidatura, a porta da rua é serventia da casa'', declarou.
Alguns dos correligionários de Beto, como o secretário de Governo de Cassio, Fernão Accioly, já comunicaram sua intenção de deixar a prefeitura. Ontem, o chefe de Gabinete, Luiz Malucelli Neto; os secretários da Saúde, Michele Caputo Neto; da Educação Paulo Afonso Schmidt; e o de Obras, Nelson Leal Júnior, se reuniram com Beto para tomar uma decisão.
O afastamento dos secretários não é o cenário ideal imaginado por Cassio. O prefeito sonhava em manter unida a base de partidos que possibilitaram sua reeleição em 2000, quando o PSDB desempenhou um papel importante. O prefeito chegou a cogitar um pacto de não-agressão entre PFL e PSDB no primeiro turno das eleições, mas a idéia já foi descartada por Beto. Pelo atual cenário eleitoral, são grandes as chances que Beto e Bertoldi tenham que disputar o mesmo eleitorado para tentar uma vaga num possível segundo turno contra o deputado estadual Angelo Vanhoni (PT), que lidera as pesquisas.
Segundo Beto, o pacto de não-agressão proposto por Cassio não deve vingar, ainda mais após a pressão do prefeito para que os secretários escolham um lado na campanha. ''Da minha parte, pretendo fazer um campanha de alto nível e pautada por idéias. Mas não acredito que vá haver nenhum tratamento especial entre PFL e PSDB, de ambas as partes'', disse Beto. No sábado, o tucano já havia dito à Folha que não via muita disposição à cordialidade no próprio Bertoldi. ''O candidato do PFL tem dado sinais de que não levaria em consideração nem mesmo as eleições anteriores em que estivemos juntos'', declarou. Bertoldi foi um dos coordenadores da campanha de Beto ao governo estadual em 2002.
Em nota oficial divulgada ontem, a prefeitura anunciou que a cobrança de posições pró-PFL ou pró-PSDB dos secretários por parte de Cassio ''contribui para preservar as relações políticas com o grupo que neste momento segue a candidatura do PSDB. O respeito às posições de todos favorecerá uma futura aproximação, visando a coligação no segundo turno da campanha. O objetivo maior é preservar a administração municipal de eventuais embates políticos que venham a prejudicar o desempenho da equipe''.


