Mais que a briga pela Prefeitura de Curitiba, a disputa envolvendo o prefeito Cassio Taniguchi (PFL), 59 anos, que concorre à reeleição, e o deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT), 44 anos, representa uma prévia do que será o confronto entre o PFL e os partidos de oposição pela sucessão estadual em 2002. Apesar de ambos negarem, fica difícil dissociar a influência dos resultados desta eleição municipal – principalmente pela inédita realização do segundo turno na Capital – sobre o próximo pleito.
Estão em jogo hoje não somente os votos de 1,1 milhão de eleitores curitibanos, mas a aprovação da gestão do grupo político do governador Jaime Lerner (PFL), que está à frente do município há três gestões consecutivas. Mesmo que seja derrotado hoje, o PT – principalmente – e os partidos que apoiaram a candidatura de Vanhoni fortaleceram sua condição de oposicionistas a Lerner.
Ex-presidente da Companhia de Urbanização (Urbs, 1972-1975), do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc, 1981-1983, 1989-1994), ex-secretário de Estado do Planejamento, e da Indústria e do Comércio (1995-1996), o atual prefeito de Curitiba se viu obrigado a mudar toda a cúpula de sua campanha depois da derrota no primeiro turno.
Antes do dia 1º de outubro, os comentários nos bastidores davam como certa a vitória da Coligação Movimento Curitiba Sempre com Você (PFL-PTB-PSB-PL-PSD-PSC-PRN-PST-PRP-PT do B-PPB-PTN). Como ela não veio, a campanha tomou um rumo diferente. Cassio chegou a admitir que ‘‘entendeu o recado das urnas’’ e passou a detalhar mais seus projetos, como a implantação de 13 núcleos de proteção ao cidadão; a construção de duas unidades de saúde 24 horas; a implantação do metrô de superfície, no trecho urbano da BR-116; além de IPTU com alíquotas diferenciadas e índice máximo de 3%.
A surpresa foi que os pefelistas também passaram a adotar ataques diretos ao adversário. Na última semana, a coligação chegou a divulgar uma propaganda com a ficha funcional de Vanhoni, quando ele era funcionário do Banestado. No debate da TV Paranaense, anteontem à noite, Cassio, por diversas vezes, reclamou dos ataques pessoais que, alegou, partiam do adversário. Depois do programa, a Folha questionou o prefeito, para saber se ele não considerava a utilização dessa propaganda como um ataque pessoal. Cassio disse que foi ‘‘uma questão de marketing político’’, adotada sem o seu prévio conhecimento. ‘‘Com certeza, se fosse consultado, teria até questionado.’’
Vanhoni, ex-funcionário de carreira do Banestado, ex-vereador (1988-1994) em Curitiba e deputado estadual há dois mandatos, reclamou desse posicionamento. ‘‘Os ataques a mim foram os mais monstruosos. Esse modo de fazer política por parte do PFL, não só em Curitiba, é uma ameaça à democracia.’’ A reclamação, num tom ameno, tem sentido.
O candidato da Coligação Curitiba Vida Melhor (PT-PPS-PHS-PMN-PV-PC do B-PCB) fez uma campanha amena, praticamente sem qualquer ataque contundente ao adversário. E, no segundo turno, só começou a responder à outra coligação depois que o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, cobrou uma ‘‘reação dura’’ aos ataques dos adversários.
De olho em 2002, o PT passou toda a campanha tentando dar mais evidência a suas principais propostas: a criação do Banco do Povo; dos centros de educação infantil (creches integradas às escolas municipais); bolsa-escola para famílias com renda de zero a três salários mínimos; implantação de um sistema de metrô subterrâneo; construção de novas unidades de saúde; implantação do terceiro turno de atendimento nos postos de saúde; IPTU com alíquotas diferenciadas e índice com teto máximo de 1%.

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