O prefeito reeleito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), afirmou ontem que o seu partido e o grupo do governador Jaime Lerner, precisam se ‘‘oxigenar’’. ‘‘O País se urbaniza cada vez mais, enquanto o nosso (dos partidos em geral) discurso continua sendo quase feudal, a exceção do PT, que nasceu urbano. Precisamos adaptar nosso discurso às reais necessidades das cidades porque, senão, estamos fadados a minguar’’, justificou.
Cassio considerou que a ida dos candidatos do PFL para o segundo turno nas principais cidades brasileiras foi um ‘‘alerta’’ da população. ‘‘Isso trouxe unidade ao nosso grupo político porque colocou em risco a estrutura da prefeitura. Mas as novas lideranças precisam ampliar uma discussão interna mais ampla e com propostas mais consistentes’’, opinou. O prefeito também disse que o PFL precisa ter um discurso ‘‘mais adequado’’ para, assim, ‘‘agregar pessoas’’ simpatizantes dos ideais defendidos pelo seu partido.
Cassio disse que essa ‘‘estratégia diferente’’ deve ser estendida aos migrantes que ‘‘não têm identidade’’ com as cidades para onde mudaram. Ele voltou a rebater as acusações de oposicionistas, de que sua gestão não era transparente e nem tinha ‘‘participação social’’. ‘‘A população tem que entender que a discussão política deve se estender durante toda uma gestão, e não apenas nos períodos eleitorais. A omissão da população de Curitiba em nossas discussões foi grande’’, reclamou.
Cassio disse que isso poderia ser resolvido com a utilização da mídia, para provocar as pessoas a ter maior participação nas audiências públicas da prefeitura. ‘‘Mas aí o PT ia dizer que gasto demais em propaganda’’ ironizou. Como no domingo, durante a comemoração de sua vitória, Cassio reafirmou que vai cumprir a próxima gestão ‘‘de forma integral’’ até 2004, descartando que pode ser o candidato do PFL para suceder Lerner em 2002. O prefeito avalia que assim que estiver consolidado o processo de industrialização do Paraná e o atendimento às reivindicações dos trabalhadores rurais, o governador vai atingir uma ‘‘condição excepcional de recuperação de imagem’’.
Cassio comentou que é ‘‘muito provável’’ que o seu vice-prefeito, o deputado estadual Beto Richa ocupe uma de suas secretarias. ‘‘Vice não tem só que rezar para que o prefeito sofra um acidente e ele assuma’’, brincou. Ele disse que a aliança formada para dar suporte a sua candidatura (PFL-PTB-PSB-PL-PSD-PSC-PRN-PST-PRP-PT do B-PPB-PTN) ‘‘implica em partilhar poder’’ numa eventual reforma do seu secretariado. ‘‘Faremos uma nova composição política para administrar bem Curitiba’’, garantiu.
O prefeito disse que a criação ou extinção de secretarias será estudada conforme a nova Lei Fiscal. Ele afirmou que vai ‘‘manter ou repensar’’ a permanência dos titulares das ‘‘áreas mais importantes’’ – as secretarias de finanças e de planejamento urbano. Na sexta-feira, Cassio e Dona Marina viajam para 15 dias na Europa. O presidente da Câmara de Vereadores, João Cláudio Derosso, vai assumir a interinidade.

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