Cassio Casseb deixa a presidência do BB
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quarta-feira, 17 de novembro de 2004
Vânia Cristino<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciou ontem a saída de Cássio Casseb Lima da presidência do Banco do Brasil (BB). Sem fazer qualquer referência ao desgaste imposto a Casseb nos últimos meses - como as denúncias de remessa irregular de recursos via CC5, compra de ingressos para financiar a aquisição da sede do PT e contratação de consultores sem licitação - Palocci disse que foi obrigado a aceitar a solicitação de Casseb para encerrar seu período de quase dois anos na presidência do banco.
''No mês passado ele me cobrou o compromisso assumido no início da sua gestão de que não poderia ficar todo o período de governo no Banco do Brasil, mas apenas um ano e meio a dois'', explicou o ministro. No lugar de Casseb assume interinamente a presidência do BB, por indicação pessoal de Palocci, o atual vice-presidente da área Internacional, Rossano Maranhão Pinto.
Na entrevista convocada no final da tarde para explicar a substituição no comando do maior banco público do País, Palocci não poupou elogios a Casseb. Ele disse que agradecia o excelente serviço prestado à frente do banco em nome do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como resultado do trabalho de Casseb no BB, o ministro citou a valorização das ações da instituição.
De acordo com Palocci, enquanto o índice Bovespa subiu 126,80% nesses quase dois anos, as ações do BB valorizaram 268,17%, saltando de R$ 8,23 para R$ 30,30. ''Os resultados apresentados são mais importantes que minhas palavras'', disse o ministro.
O ministro da Fazenda também fez questão de dizer que tanto Casseb quanto Maranhão eram indicações pessoais e que, se depender dele, Casseb não deixará de vez o governo. ''Estou cercando para que ele aceite um cargo no governo'', disse, acrescentando que já o tinha indicado para o Conselho de Administração do próprio BB, ainda sem resposta.
Durante toda a entrevista de Palocci, Casseb demonstrava um certo desconforto. Questionado sobre as razões de sua saída, ele desconversou. ''Não falei nesses dois anos e não será agora'', argumentou. Ele explicou que tinha ido para o governo para ajudar o banco e o País. ''Vou sentir muita saudade da lojinha'', admitiu Casseb, pouco antes de deixar a sala. ''Lojinha'' é como ele tinha se referido ao BB na divulgação de um dos balanços da instituição.
Coube ao próprio Palocci esclarecer que não tinha havido qualquer pedido político ou partidário para a saída do presidente do banco.
Palocci reafirmou o caráter pessoal da saída de Casseb. Sobre Rossano Maranhão Pinto, o ministro deixou a porta aberta para sua permanência no cargo. ''Se ele pode assumir interinamente também pode permanecer'', disse.
Maranhão é funcionário de carreira do BB e, antes de ser vice-presidente, cargo que assumiu em 2001, foi diretor da área internacional desde 1999. Ele é economista, com mestrado na Universidade de Brasília e nos Estados Unidos.


