Curitiba - O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), acusou ontem o governador Roberto Requião (PMDB) de discriminar a capital na área de segurança pública. Comprovando que a segurança realmente será o tema mais debatido na campanha eleitoral deste ano, Cassio acusou Requião de sonegar informações sobre crimes à Guarda Municipal em uma tentativa de favorecer o candidato Angelo Vanhoni (PT), apoiado pelo governador.
As declarações de Cassio foram uma resposta à participação de Requião no horário eleitoral de Vanhoni, quando o governador afirmou que, com a eleição do petista para a prefeitura, haveria uma integração entre a Guarda Municipal e as polícias Militar (PM) e Civil, que são subordinadas à Secretaria Estadual de Segurança Pública.
''Não vejo por que precisamos esperar até as eleições. A integração deveria ocorrer a partir de agora, como a prefeitura sempre desejou e como vinha ocorrendo antes da eleição do governador. Essa discriminação afeta a população curitibana, que não tem nada a ver com as divergências partidárias'', disparou Cassio.
Segundo Cassio, o governo estadual teria rompido unilateralmente um convênio que previa o treinamento da Guarda Municipal por policiais militares. Para contornar o problema, uma Academia da Guarda Municipal teve que ser criada no Parque Barigui. O prefeito também afirmou que a secretaria de Segurança Pública se recusa a passar o horário e a localização das ocorrências criminais para a Guarda Municipal, dificultando o trabalho do órgão.
O secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, classificou as declarações de Cassio como eleitoreiras. ''É temerário transformar uma questão séria como a segurança em um palanque eleitoral. Nós não discriminamos nenhum município, e eu não vou entrar nesse jogo'', afirmou.
Segundo Delazari, o cancelamento do treinamento da Guarda Municipal deve-se ao aumento do efetivo da PM. ''Houve uma demora por parte da prefeitura para solicitar o treinamento da PM. Além disso, no mesmo momento aumentamos em 1.028 policiais os quadros da PM, e não teríamos instrutores para atender a outras corporações, sejam elas quais forem'', alegou Delazari.
O secretário também negou a acusação de que a secretaria estaria sonegando informações. ''O prefeito confunde o geoprocessamento, que é o mapeamento do crime, com cadastro por antecedentes criminais. Em nenhum momento nos foi pedida essa informação. É uma acusação típica de gente que não conhece a Segurança Pública a fundo'', rebateu.

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