Cassio acusa Delazari por improbidade
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terça-feira, 14 de setembro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A campanha eleitoral na capital abriu mais um flanco na briga entre o governo do Estado, comandado por Roberto Requião (PMDB), e a Prefeitura de Curitiba, nas mãos de Cassio Taniguchi (PFL). Ontem, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o secretário estadual da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e o comandante da Polícia Militar (PM) do Paraná, coronel David Pancotti.
A PGM acusa Delazari e Pancotti de descumprir ordem judicial de desocupação de uma área da prefeitura no bairro do São Braz, invadida em março. A Secretaria de Segurança respondeu com um contra-ataque. Delazari anunciou, no final da tarde de ontem, que vai representar criminalmente ao Ministério Público (MP) contra o procurador-geral de Curitiba, Maurício Sá De Ferrante, por denúncia caluniosa.
A PGM alegou que Delazari teria sido notificado para realizar a desocupação, mas o secretário nega. Na opinião do secretário, a ação proposta pelo município é ''absurda do ponto de vista jurídico''. A equipe do governo levantou ainda a ficha de Ferrante. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança, Ferrante é advogado do Estado e foi cedido, através de decreto, para prestar serviços à Prefeitura de Curitiba. E por isso pode responder a processo disciplinar, já que como advogado do Estado é impedido legalmente a entrar com ação contra agentes do governo. Ao saber do fato, o governador Roberto Requião (PMDB) determinou a revogação do decreto que cede Ferrante para prestar serviços à Prefeitura de Curitiba.
Delazari avalia que a medida tomada pela PGM é motivada pelo momento político. ''Este é mais um factóide eleitoreiro criado pela prefeitura e que pretende atrair os holofotes da mídia para uma questão já superada.''
A Guarda Municipal, com autorização judicial, de acordo com a prefeitura, executou a desocupação no São Braz em maio, dois meses depois de expedida a liminar que concedia a reintegração de posse ao município.
Na ação proposta pelo município, Ferrante solicita que o secretário de Estado da Segurança e o comandante da PM façam o ressarcimento ao Tesouro municipal das despesas com a desocupação realizada pela Guarda Municipal, no valor de R$ 70 mil. A assessoria de imprensa da prefeitura foi procurada novamente pela Folha para comentar o contra-ataque do governo, mas não houve retorno até o fechamento da reportagem.


